Rio de Janeiro - Os reajustes nos produtos alimentícios elevaram a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) para 0,37% em novembro, ante 0,29% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo de alimentos foi responsável, sozinho, por 0,27 ponto porcentual, ou 73% da taxa. O IPCA-15 é classificado pelo mercado financeiro como uma prévia do IPCA, referência para as metas de inflação do governo e que também é calculado pelo IBGE.
Os dois índices diferem-se apenas no período de coleta. A taxa divulgada ontem era esperada como sinalizadora da decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom) tomará em relação à taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana.
Como o índice veio dentro da estimativa dos analistas, que iam de 0,32% a 0,40%, as apostas para o Copom continuaram a oscilar entre um corte de 0,25 ponto a 0,50 para a Selic, que atualmente está em 13,75%. No ano, o IPCA-15 acumulou variação de 2,60%, e nos últimos 12 meses, de 2,99%.
Para o economista do Ibmec e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, a alta na inflação ''é pontual e não influenciará as expectativas de inflação para o próximo ano'', além de não evitar um corte de 0,50 ponto na Selic na próxima semana. Além do cenário tranquilo para a inflação, ele avalia que o Copom reduzirá a Selic por causa da perspectiva de performance ruim dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, cujos dados serão divulgados pelo IBGE na quinta-feira, depois da reunião do Comitê, que termina quarta.
Os técnicos do IBGE não concedem entrevista sobre o IPCA-15 mas, no documento de divulgação do índice, destacam que as carnes, que estão no período de entressafra, registraram alta de 4,23% nos preços, enquanto o frango teve reajuste de 13,03%. As pressões no grupo dos alimentos foram dadas também pelo tomate (28,01%), batata-inglesa (6,63%), farinha de mandioca (4,66%), carne-seca (3,76%), frutas (3,39%), linguiça (2,34%) e arroz (3,65%).
Alguns produtos alimentícios continuaram em queda, como açúcar cristal (-7,66%) e refinado (-3,26%), cenoura (-9,83%) e leite pasteurizado (-1,04%). Do lado dos recuos nos preços figuraram também o litro do álcool combustível (-1,36%), assim como o automóvel usado (-2,20%) e aparelhos de TV, Som e Informática (-1,01%).

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