A redução na variação de preços dos alimentos de 0,39% na semana encerrada no último dia 7 para para 0,06% no último domingo, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), faz com que a previsão divulgada ontem, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponte para deflação nos produtos do tipo em junho. A variação negativa é ainda maior quando comparada com os 0,81% do último dia 22 de maio, principalmente pelas quedas dos preços da batata-inglesa (-19,35%), tangerina (-14,15%), alface (-8,64%), tomate (-3,79%) e etanol (-1,89%).
No indicador geral, a a redução semanal foi de 0,10 ponto porcentual, de 0,46% para 0,36% no último domingo. Além do grupo Alimentos, sofreram quedas Transportes (0,31% para 0,19%), Habitação (0,56% para 0,54%), Saúde e cuidados pessoais (0,60% para 0,53%) e Despesas Diversas (1,1% para 1,06%).
As classes com maiores variações foram hortaliças e legumes (de -2,77% para -7,48%), tarifa de ônibus urbano (de 0,54% para 0,14%), taxa de eletricidade residencial (de 1,92% para 0,89%), medicamentos em geral (de 0,57% para 0,40%) e jogo lotérico (de 9,55% para 8,31%).
O pesquisador da FGV Paulo Picchetti afirma que alguns movimentos já eram esperados, como o menor efeito dos reajustes de medicamentos e de tarifas de energia. No caso dos alimentos, ele considera provável que a variação seja negativa neste mês. "É uma queda consistente e que traz o grupo Alimentação praticamente para uma taxa mais perto de zero ou até mesmo negativa. Do outro lado (das altas), não tem nada surpreendendo para cima. A taxa de refeições em bares e restaurantes está subindo (0,65%), mas já era esperado. É condizente com o momento (demanda causada pela Copa do Mundo)", explica.
De acordo com o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a oferta de produtos como a batata e o tomate aumentou nos últimos dois meses e o peso atribuído ao clima foi menor do que o esperado. "O inverno não está tão rigoroso quanto previsto, porque no ano passado tivemos muitas geadas."
Ex-presidente e hoje técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugenio Stefanelo diz que mesmo a seca dos primeiros meses do ano não teve o efeito esperado na produção. "Soja, milho e café tiveram redução no preço e até mesmo o trigo teve um pouco", conta.
Stefanelo cita ainda que as cotações de produtos de origem animal, como carne, leite e ovos, não tiveram aumentos nos dois últimos meses. De forma geral, ele vê tendência de manutenção da redução dos preços devido a safras maiores. "A dona de casa vai ser beneficiada na hora de fazer compras e os produtores terão de racionalizar custos para manter os lucros nos próximos meses." (Com Agência Estado)

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