Preço do transporte de soja sobe 50%
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Albari RosaLONGA ESPERACaminhões carregados com soja formavam fila com mais de 15 km na rodovia que liga Curitiba a Paranaguá Os produtores de soja estão pagando 50% mais caro para transportar a safra até o Porto de Paranaguá. O preço do frete apresentou um crescimento desde o início do mês, quando intensificou a comercialização do produto. O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar) diz que o aumento é apenas repasse de perdas e avisa que o preço pode subir mais 5% nas próximas semanas.
O preço da tonelada transportada durante os meses de pico da safra saltou de R$ 27,00, no ano passado, para R$ 38,00. O valor é referente ao percurso da região de Cascavel até o Porto de Paranaguá. O frete da soja, que sai de Londrina para o terminal portuário, oscila entre R$ 35,00 e R$ 38,00. Fora da safra, o preço do transporte pode chegar a R$ 18,00, como aconteceu no segundo semestre do ano passado.
O alto custo do transporte provoca a reação contrária dos produtores, que começam a calcular em quanto aumentará o preço final do produto embarcado em Paranaguá. Há um encarecimento de pelo menos R$ 0,80 em cada saca de soja, mostra o gerente técnico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Nelson Costa.
A saca de soja chega ao porto com um custo de R$ 17,30. O frete representa 12% do total. Parte do aumento do preço se deve à demanda e à pressa que o produtor tem em exportar a safra. Segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o grão de soja registrou o melhor preço médio dos últimos 20 anos. Os preços praticados em fevereiro tiveram uma cotação média de R$ 15,07 a saca de 60 quilos, valor considerado histórico.
Com uma boa comercialização da soja, a tendência das transportadoras é aumentar o preço do transporte. O presidente do Setcepar, Adão Flores Nunes, afirma que a safra de soja representa um bom momento para o setor recuperar o prejuízo, que estava sendo acumulado nos últimos meses. Nunes diz que as transportadores estão no vermelho há dois anos.
Mas o presidente do Setcepar nega que o preço do frete tenha aumentado de maneira exagerada. Ele garante que foi apenas uma acomodação de valores. Estamos fazendo uma reacomodação, pois há dois anos não aumentamos o preço do frete, assegura o presidente do sindicato. Ele coloca ainda que os meses da safra é o melhor período para que os empresários possam recuperar prejuízos acumulados.
Durante a safra, que vai de março a julho, ocorre um aumento de 50% no número de caminhões que circulam no Estado. Na safra, trafegam cerca de 5 mil caminhões pelo Estado, sendo que 75% se destinam para o carregamento de soja.


