Preço do tomate disparou nos últimos 40 dias
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segunda-feira, 17 de março de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O vilão dos hortifrútis do ano passado voltou a dar as caras. Nas gôndolas dos supermercados, o tomate, mais uma vez, encabeça o ranking dos produtos mais caros e com maior oscilação de preço em curto período de tempo. O salto, em Londrina, foi exorbitante: na semana passada foi possível encontrar a fruta a quase R$ 9 o quilo. Ontem, o preço caiu um pouco, e a variedade saladete está entre R$ 6 e R$ 7, valor praticamente 230% maior do que o normal.
Os números do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), mostram que o salto de preços não aconteceu apenas no varejo. O processo de alta começou no campo. Em dezembro, o produtor rural recebeu, em média, R$ 29,33 pela caixa de 23 quilos do produto. Em janeiro, o preço caiu para R$ 26,45, para depois decolar e atingir R$ 46,14 em fevereiro, uma elevação de 74% em 30 dias. Consequentemente, a variação de preços acabou atingindo o consumidor final.
A primeira safra de tomate que iniciou o plantio em agosto e colheita a partir de novembro está prevista para fechar em 177,2 mil toneladas, uma retração de 5% comparado ao ano passado. Porém, a grande justificativa para esse "boom" dos valores foi o clima quente desse começo de ano, que acabou atingindo um momento importante do desenvolvimento da lavoura, diminuindo a oferta durante o período. "Na primeira quinzena de janeiro choveu demasiadamente, e depois faltou chuva no restante do mês e também em fevereiro. Isso já foi o suficiente para atrapalhar não só a produção de grãos, mas também de outras culturas como o tomate", explica o técnico do Deral Carlos Alberto Salvador.
O presidente da Associação Representativa dos Usuários da Ceasa Londrina (Arucel), Clóvis Tsuzaki, comenta que há cerca de 40 dias os preços estão fora dos patamares normais. A caixa do saladete, variedade com maior poder de comercialização na cidade, chegou a ser vendida a R$ 115 há duas semanas, caiu para R$ 90 na semana passada e agora está a R$ 70. "Quando o valor atinge a casa dos R$ 100, é porque realmente está fora da realidade. O ideal, para que o produtor, o comerciante e o consumidor ganhem é sair do Ceasa por R$ 50", calcula ele.
Apesar do aumento de preços, Tsuzaki relata que não está faltando produto na Ceasa e que o abastecimento está acontecendo normalmente. "A produção está voltando ao normal e acredito que nas próximas semanas os preços vão se estabilizar nos patamares antigos. O mesmo cenário das folhagens, como o alface, que agora estão mais caras, mas devem cair 50% até o início do mês que vem", complementa.
Consumidor
Nos corredores dos supermercados, os consumidores, obviamente, optam por outros hortifrútis quando os preços estão em elevação, como é o caso do tomate. A costureira Mercedes Alves da Silva, passa o olho no valor do produto, e se tiver acima dos R$ 3 o quilo já desiste de preparar aquele macarrão ao sugo. "Se tiver precisando demais, compro no máximo duas unidades. Não foi apenas o tomate, percebi o aumento de preços em outros produtos do sacolão também. Opto pelos mais em conta para não ficar no prejuízo".

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