O vilão dos hortifrútis do ano passado voltou a dar as caras. Nas gôndolas dos supermercados, o tomate, mais uma vez, encabeça o ranking dos produtos mais caros e com maior oscilação de preço em curto período de tempo. O salto, em Londrina, foi exorbitante: na semana passada foi possível encontrar a fruta a quase R$ 9 o quilo. Ontem, o preço caiu um pouco, e a variedade saladete está entre R$ 6 e R$ 7, valor praticamente 230% maior do que o normal.
Os números do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), mostram que o salto de preços não aconteceu apenas no varejo. O processo de alta começou no campo. Em dezembro, o produtor rural recebeu, em média, R$ 29,33 pela caixa de 23 quilos do produto. Em janeiro, o preço caiu para R$ 26,45, para depois decolar e atingir R$ 46,14 em fevereiro, uma elevação de 74% em 30 dias. Consequentemente, a variação de preços acabou atingindo o consumidor final.
A primeira safra de tomate – que iniciou o plantio em agosto e colheita a partir de novembro – está prevista para fechar em 177,2 mil toneladas, uma retração de 5% comparado ao ano passado. Porém, a grande justificativa para esse "boom" dos valores foi o clima quente desse começo de ano, que acabou atingindo um momento importante do desenvolvimento da lavoura, diminuindo a oferta durante o período. "Na primeira quinzena de janeiro choveu demasiadamente, e depois faltou chuva no restante do mês e também em fevereiro. Isso já foi o suficiente para atrapalhar não só a produção de grãos, mas também de outras culturas como o tomate", explica o técnico do Deral Carlos Alberto Salvador.
O presidente da Associação Representativa dos Usuários da Ceasa Londrina (Arucel), Clóvis Tsuzaki, comenta que há cerca de 40 dias os preços estão fora dos patamares normais. A caixa do saladete, variedade com maior poder de comercialização na cidade, chegou a ser vendida a R$ 115 há duas semanas, caiu para R$ 90 na semana passada e agora está a R$ 70. "Quando o valor atinge a casa dos R$ 100, é porque realmente está fora da realidade. O ideal, para que o produtor, o comerciante e o consumidor ganhem é sair do Ceasa por R$ 50", calcula ele.
Apesar do aumento de preços, Tsuzaki relata que não está faltando produto na Ceasa e que o abastecimento está acontecendo normalmente. "A produção está voltando ao normal e acredito que nas próximas semanas os preços vão se estabilizar nos patamares antigos. O mesmo cenário das folhagens, como o alface, que agora estão mais caras, mas devem cair 50% até o início do mês que vem", complementa.

Consumidor
Nos corredores dos supermercados, os consumidores, obviamente, optam por outros hortifrútis quando os preços estão em elevação, como é o caso do tomate. A costureira Mercedes Alves da Silva, passa o olho no valor do produto, e se tiver acima dos R$ 3 o quilo já desiste de preparar aquele macarrão ao sugo. "Se tiver precisando demais, compro no máximo duas unidades. Não foi apenas o tomate, percebi o aumento de preços em outros produtos do sacolão também. Opto pelos mais em conta para não ficar no prejuízo".

Imagem ilustrativa da imagem Preço do tomate disparou nos últimos 40 dias



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