Rio de Janeiro - O aumento de produção anunciado ontem pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não será suficiente para que a cotação do petróleo volte, no curto prazo, aos níveis anteriores à crise atual, segundo especialistas consultados pela Agência Estado. O temor de novos atentados terroristas e o aumento da demanda no verão americano vão adiar uma queda mais acentuada para o segundo semestre. Por enquanto, dizem os analistas, o preço deve manter-se acima dos US$ 35 por barril.
''Uma queda maior só deve ocorrer lá para agosto, depois do fim do verão americano'', avalia Paulo Rossetti, especialista no mercado de petróleo da Global Invest. Mesmo assim, o recuo esperado para as próximas semanas pode diminuir a pressão sobre o preço dos combustíveis no Brasil, reduzindo o esperado reajuste da gasolina para 10% nas refinarias. Antes, falava-se em uma defasagem superior a 30%. A Petrobras afirma que continua avaliando o mercado para decidir o que fazer com o preço dos combustíveis.
A expectativa do mercado é de que as cotações recuem um pouco entre junho e julho, puxadas pelo aumento da produção da Opep. ''Mas o risco político é o maior fator de pressão e não há nada que a Opep possa fazer quanto a isso'', avalia o professor Edmar Almeida, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, concorda: ''O que explica o recorde atingido esta semana é o 'fator medo', que ganhou importância depois dos atentados em Madri e na Arábia Saudita.'' Segundo ele, este fator impede uma queda maior no curto prazo. ''Mas, no segundo semestre, se não houver mais notícias ruins, há grandes chances de o preço cair abaixo dos US$ 35'', afirmou.
Almeida disse que, em um cenário apertado entre demanda e oferta como o atual, qualquer notícia negativa provoca reações exageradas. ''O mercado fica mais vulnerável'', disse. Para Rossetti, a questão da demanda norte-americana, que aumenta no verão, ainda terá forte impacto na formação de preços.
No mercado interno, permanece a pressão por um reajuste de preços, mas o porcentual pode ser menor que o esperado antes do aumento da produção mundial. O mercado acredita que a Petrobras só mexerá nos preços daqui a um mês, depois de reduzido o impacto da demanda norte-americana nas cotações internacionais. ''Aí, a empresa poderá ter uma noção melhor do que vai acontecer com o mercado'', disse um especialista.

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