Preço do petróleo pode bloquear queda dos juros
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domingo, 10 de julho de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Inflação em baixa, produção industrial em alta: o noticiário econômico nacional da semana proporcionou raras boas notícias em meio à crise política. O alívio só não foi maior porque um velho fantasma voltou a assustar o mundo: o preço do petróleo futuro, que passou pela primeira vez na História a casa dos US$ 60 por barril.
Na opinião de especialistas ouvidos pela Agência Estado, trata-se da maior ameaça à esperada redução do juro básico pelo Comitê de Política Monetária (Copom). ''Um reajuste no preço dos combustíveis, hoje, seria um baque'', resume o economista-chefe da corretora Ático Asset Management, Artur Carvalho.
Com os recentes dados sobre deflação na economia, o mercado passou a acreditar que o fim do arrocho monetário, iniciado em 2004, poderia vir mais rápido. Agora, ressalta o analista de petróleo da consultoria GRC Visão, Tiago Davino, esse produto ressurge como entrave à queda do juro. ''Caso o petróleo venha a estourar, vira a pior ameaça à economia brasileira'', completa.
Em relatório enviado esta semana a seus clientes, os analistas Damian Fraser e Tomás Lajous, do Banco UBS, colocam a inflação brasileira como o principal risco, para a América do Sul, da manutenção do preço do petróleo futuro nos atuais patamares. A valorização do real frente ao dólar, dizem, compensou parcialmente a alta do petróleo e garante a manutenção dos preços no curto prazo, mas ninguém no mercado é capaz de arriscar, com convicção, previsões sobre o futuro. ''Ninguém sabe o que vai acontecer'', admite o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP Edmílson Moutinho dos Santos.
''O crescimento da economia mundial está suportando os altos preços'', diz Davino, da GRC. A questão é saber até quando a Petrobras vai suportar. O último reajuste promovido pela estatal nos preços da gasolina e do diesel ocorreu em novembro, quando o petróleo rondava a casa dos US$ 50 por barril.


