Preço do petróleo deve determinar juro
Agência Estado
Do Rio
A alta do preço do petróleo no mercado internacional será o fiel da balança na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado financeiro não descarta um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros básica da economia, mas o clima de otimismo dos últimos dias perdeu fôlego entre os investidores. A taxa está inalterada em 19% ao ano há cinco meses.
Economistas lembram que a disparada do petróleo pode trazer reflexos para a inflação este ano. Uma recomposição nos preços internos do produto é dada como certa pelo mercado financeiro. O cenário é de preocupação, mas ainda acho que existe espaço para um corte na taxa, afirma o economista Marcelo Allain, do Banco Inter American Express.
Ele aposta em uma redução nos preços com o fim do inverno no hemisfério Norte, época em que tradicionalmente o consumo mundial de petróleo aumenta. O recuo poderia diminuir a pressão por reajustes no Brasil. Allain destaca que o Brasil atravessa o melhor momento desde julho do ano passado. Na época, a cotação do dólar chegou próxima de R$ 2,00, os desequilíbrios internos e externos eram mais profundos e o Brasil ainda pagava quatro pontos percentuais acima do nível atual para vender seus títulos no exterior.
Já um relatório divulgado ontem pelo Lloyds Bank TSB descarta uma queda da taxa antes de março. Além da questão do petróleo, o estudo aponta a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos como outro inibidor.
O cenário desenhado pela instituição é compartilhado pelo economista Mauro Schneider, do ING Baring. Ainda existe um grau de incerteza nessa área, avalia. O fluxo de capital para países emergentes pode ser afetado se houver uma alta consistente dos juros americanos. O economista-chefe do Bilbao Vizcaya, Octávio de Barros, argumenta que uma das alternativas à queda dos juros seria a redução do percentual de recolhimento compulsório dos depósitos à vista pagos pelos bancos de 65% para 55%. Com isso, o governo injetaria recursos na economia e estimularia a retomada da atividade produtiva.
Barros pondera que não é o momento de sancionar o crescimento com uma queda forte dos juros. Ainda não dá para crescer sem medo, afirma, ao citar uma frase do presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Se o governo baixar os juros agora será com cautela e depois ficará mais dois ou três meses sem mexer, prevê.





