Agência Folha
De São Paulo
O petróleo mais que dobrou de preço neste ano e reacendeu o temor de inflação que poderia levar a uma consequente recessão em todo o mundo. O barril do petróleo brent, usado como referência no mercado
internacional, pulou de menos de US$ 10 no final de 98 para quase US$ 26 neste mês. É o patamar mais alto desde a Guerra do Golfo, em 1991.
Alguns analistas prevêem que o barril pode chegar, no curto prazo, a US$ 30.
O preço pulou, mas, devido a uma série de razões, não houve nem de longe estrago comparado ao das crises dos anos 70. No choque de 73, o preço ficou quatro vezes maior. Depois, o barril triplicou entre 79 e 80. Nas duas ocasiões, os efeitos foram inflação e recessão globais.
Apesar de o petróleo ter peso menor na economia hoje, principalmente na dos países ricos, a sua variação está sendo a principal responsável pela pressão nos preços nos EUA este ano. Ainda sob controle, a inflação norte-americana deve somar 2,7% este ano, um ponto percentual superior à de 98 devido em grande parte ao aumento do óleo.
A alta dos preços, se persistir, levará o Federal Reserve, o banco central norte-americano, a elevar mais uma vez seus juros básicos, que subiram três vezes em 99 e chegaram a 5,5% ao ano. A estabilidade dos preços preocupa também o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, que não hesitariam em alterar suas taxas em 2000.
O Brasil não só seria atingido pela própria alta do petróleo, como também pela elevação dos juros no mundo, que aumentam os custos de financiamento e obrigariam o País a elevar as taxas domésticas para contornar o aumento das externas.
Se o cartel não renovar o acordo para reduzir suas cotas – que acaba em março de 2000, quando completa um ano –, é possível que o preço volte aos níveis considerados normais, em torno de US$ 20 o barril. A própria especulação sobre qual será a decisão da Opep pode pressionar o mercado. Acima de US$ 30 o barril, o petróleo seria uma ameaça à estabilidade dos preços.
O governo brasileiro já sinalizou que espera que o preço internacional do petróleo caia a partir de março do próximo ano, após a nova reunião da Opep. Se isso não ocorrer, os preços internos poderão ser reajustados.Custo do barril disparou este ano de menos de US$ 10 para US$ 26 e pode atingir US$ 30 em 2000, pressionando a inflação
Arquivo FolhaESCALADAConsumidor brasileiro sentiu no bolso a disparada do preço do petróleo este ano, com altas seguidas no custo da gasolina e pontos a mais nos índices de inflação

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