Preço do pão francês vai acompanhar o do trigo
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Israel ReinsteinDe Curitiba 
Os paranaenses vão ter que se acostumar com sucessivos aumentos de preços do pão francês. De acordo com a presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitos do Paraná, Rose Marisa Paglia, o setor não está conseguindo absorver os reajustes do trigo, que desde o começo do ano subiu 40%, em função da elevação do dólar. Durante os anos de 1994 a 2001, o preço do pão permaneceu inalterado e a gente queimou gordura. Agora não se tem mais nada para queimar, avisa Rose.
A presidente do sindicato explicou que o repasse do reajuste do trigo para o valor do pão será automático. Hoje 90% do trigo produzido pelos moinhos do País são importados, sendo que 70% do grão processado pela indústria vêm da Argentina e 20% do Canadá. Como o trigo importado é cotado em dólar, prossegue a empresária, os moinhos reajustam a cada desvalorização do real.
Desde que começou a especulação sobre o dólar, o pão francês teve uma alta de que oscilou entre 20% a 22%. Com isso, o produto saiu da faixa entre R$ 0,13 a R$ 17, subindo para R$ 0,14 a R$ 0,19 a unidade. Rose afirma que se a alta permanecer o setor, que emprega 25 mil pessoas, vai continuar aumentado o preço do pão francês e de outros produtos da área de panificação.
Para Rose, nem mesmo as grandes panificadoras têm capacidade de absorver a alta do trigo. Ela diz que o setor já fez a sua parte mantendo o preço do pão estável por quase sete anos, quando o produto ficou na faixa de R$ 0,10 a R$ 0,13. Se tiverem que segurar os preços, panificadoras vão quebrar, adverte.
Hoje, o índice de falência do setor beira na faixa de 20%. Em todo o Estado, existem 4,2 mil panificadoras, sendo que 2,2 mil estão em Curitiba e região metropolitana.
Rose Paglia disse que outro motivo que impede o setor de absorver as altas é a queda no consumo de pães nos últimos cinco anos. A estimativa do sindicato é que houve um redução de 40% na produção do setor. Com essa redução, aconteceu diminuição no faturamento. Ela exemplificou que, em 1996, uma empresa faturava R$ 30 mil. Hoje essa mesma panificadora está ganhando R$ 20 mil.
Entre os fatores que provocaram a queda no rendimento estão o aumento da competição e a queda do poder aquisitivo da população. Hoje as pessoas compram o número exato de pães que vão comprar, disse. Além disso, a concorrência com os supermercados também atingiu o setor. Se os supermercados mudarem mesmo os horários, isso pode ajudar o setor de panificação.


