Preço do pão francês deve aumentar em até 10%
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - O preço do pão francês deve sofrer um aumento de até 10% nos próximos 60 dias, mesmo com a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para importações de trigo de fora do Mercosul. Foi o que disse ontem o diretor presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, ao programa Agência Estado no Ar, produzido pela Agência Estado e veiculado pela Rede Eldorado de Rádio.
Em entrevista, ele avaliou que, como o trigo argentino não terá condições de atender o Brasil plenamente por conta de uma quebra de safra, a melhor alternativa hoje é recorrer ao produto norte-americano. Mas, mesmo sem a TEC, a tonelada do trigo importado dos Estados Unidos custa em torno de US$ 460, enquanto a tonelada do produto da Argentina custaria US$ 400. ''Se os moinhos brasileiros têm que comprar trigo de outras procedências, que evidentemente vão ter que comprar, o custo final vai ser mais caro ainda'', ressaltou.
Na composição do preço do pão francês, a farinha representa 30% do total. Com a necessidade de repassar o custo do trigo e do frete, Pih espera um aumento superior a 20% na farinha, fazendo com que o valor do pãozinho seja acrescido em aproximadamente 10%.
O presidente do Moinho Pacífico ressaltou que, além da Argentina, as alternativas que restariam ao Brasil para importação de trigo seriam muitas, mas a quebra de safra na Austrália, no Leste da Europa e no Canadá, aliadas ao alto custo do frete, fizeram com que a melhor escolha se restringisse ao trigo norte-americano.
De acordo com Pih, o Brasil não tem condições de produzir todo o trigo necessário para atender a demanda interna - que representa 10 milhões de toneladas por ano -, porque o custo de produção no País é muito alto. ''A única solução que resta ao governo para baratear o pão e a farinha, é retirar o PIS/Cofins, que é 9,20% sobre o preço'', considerou.
Devido aos agravantes climáticos, nos últimos anos, o Brasil não tem alcançado nem metade da demanda interna. ''Em 2007, a produção foi apenas de 3,5 milhões, sendo necessário importarmos mais de 6,5 milhões'', informou.
''Mas apesar de não conseguir atender à demanda interna, o Brasil exporta trigo, sim, como aconteceu no último ano'', ressaltou o executivo. Isso porque a pressão da safra eventualmente torna o preço do trigo nacional mais barato do que o trigo argentino para o mercado mundial.


