São Paulo - O preço do ouro alcançou na semana passada o mais alto patamar desde o agravamento da crise financeira internacional, marcado pela quebra do Lehman Brothers, em setembro. Na Bolsa Mercantil de Nova York, a onça ultrapassou a barreira de US$ 1.000 - em quatro meses, a alta do metal chegou a 48% no mercado americano. Em Londres, chegou-se perto desse valor, com negócios acima dos US$ 990 a onça-troy (31,104 gramas).
O mercado considera agora que haja espaço para testar a cotação de US$ 1.032,70, alcançada em março do ano passado - o recorde nominal de todos os tempos na Bolsa londrina. No Brasil, o grama na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) alcançou R$ 75,70 na sexta-feira, 55% mais que a cotação do início do segundo semestre do ano passado, antes, portanto, da deterioração mais profunda dos mercados.
Pegue o desapontamento com a condução da economia dos Estados Unidos. Adicione o mercado de ações em parafuso, com os balanços de empresas e instituições financeiras em deterioração. Complete com indicadores apontando para recessão por todas as economias consideradas desenvolvidas. Não esqueça de uma pitada de demanda em alta, principalmente da Rússia e de países asiáticos. Pronto. Está delineada a receita para que o ouro, ativo que é considerado um ''refúgio'' em períodos de incerteza, se valorize muito.
No início do mês, relatório do Grupo Goldman Sachs havia elevado a projeção das cotações de ouro para três meses em 43%, para US$ 1.000 a onça-troy, patamar antecipado pelo mercado, em decorrência da constatação de que os investidores buscariam mais proteção pelo crescimento do risco em outros negócios financeiros. ''Todas as moedas passaram a ser percebidas como apresentando risco cada vez maior. A recente alta do dólar teria sido puxada, dentro dessa visão, mais pela queda de confiança em outras moedas, o que deixa o ouro como a moeda de último recurso'', disseram os analistas Jeffrey Currie e David Greely no relatório do Goldman, segundo texto da Bloomberg.
Tendências
Essa alta do ouro é sustentável no longo prazo? Para Pedro Galdi, analista de metais da corretora SLW, o movimento vai perdurar enquanto o ambiente de crise se impuser. ''Quando os outros mercados começarem a se recuperar com mais consistência, a tendência é de reverter essa valorização (do ouro).'' Mas, como a crise financeira não dá sinais de arrefecimento tão cedo, o metal ainda tende a se destacar por um período entre as aplicações.

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