Preço do orgânico pode ser até 100% maior
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terça-feira, 05 de julho de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O preço da bandeja de morango orgânico pode custar até o dobro do valor do fruto convencional no Paraná. Segundo estimativas da Emater, enquanto o preço da caixa do fruto tradicional no varejo varia de R$ 3 a R$ 3,50, o orgânico pode custar de R$ 6 a R$ 7. Em julho (mês considerado de pico na produção) a cotação cai para R$ 2 a bandeja do morango comum e até R$ 4 para o natural. O custo de produção do fruto orgânico é apenas 10% mais caro do que o convencional.
O custo mais alto se deve basicamente à utilização de mais mão-de-obra. ''O que acontece é que há muita procura pelo morango orgânico, o que contribui para que o preço seja mais alto'', argumenta o engenheiro agrônomo Iniberto Hammerschimdt.
Independente de preço, o morango caiu no gosto dos londrinenses. A vendedora Jacira Moreira da Silva fabrica bombons para vender. Segundo ela, enquanto os doces de morango vendem até 200 por dia, dos outros sabores como castanha e uva vendem 50. ''Com os sucos acontece a mesma coisa. Enquanto faço 60 de morango, apenas 20 são das outras frutas'', compara.
A atendente de caixa Bárbara Henrique diz que costuma comprar o fruto na feira livre. ''Sempre compro uma ou duas bandejas quando não tem em casa'', conta. Ela diz que utiliza o morango no preparo de saladas, juntamente com as folhas verdes, e no preparo de sucos.
O produtor Alisson Pezarini Muller destina 3 mil metros quadrados de uma propriedade de 5 alqueires localizada no distrito de Warta - para a plantação de morangos. Há três anos, ele optou por dispensar o uso de agrotóxicos nas plantas. ''Utilizo somente substâncias que não agridem o organismo. Fizemos isso pela minha saúde e pela da minha família e também para conquistarmos mais mercado'', comenta.
Ele, que vende um quilo do fruto por R$ 8 no atacado, diz que só não consegue um preço melhor porque não tem o selo de produto orgânico. ''O que percebemos é que ficou mais fácil para vender o nosso morango. Tem mais aceitação'', comenta. Muller afirma que não tem o selo porque sua propriedade não está isolada e é vizinha de sítios e fazendas onde o agrotóxico é utilizado.
Para este ano, a sua estimativa é colher entre 800 gramas e 1 quilo de frutos por pé. Em anos anteriores, a produtividade chegou a 1,2 quilo por planta. ''Já iremos colher 20% menos do que o previsto, mesmo que o tempo esfrie a partir de agora'', comenta. Este ano, a sua produção total está estimada em 2,4 toneladas.
Atraso - Já o produtor Eli Moritz, de Londrina, optou por atrasar o plantio de morango, devido às altas temperaturas registradas entre o final de março e o início de abril. Ele só cultiva a planta orgânica e deve começar a colher apenas em um mês. A expectativa é colher cerca de 6 toneladas. Moritz também é produtor de mudas. Neste ano, foram cultivadas 200 mil mudas; no próximo ano, sua produção deve subir para 600 mil mudas.
''O morango obedece a lei incontrolável da oferta e da procura. O produto orgânico atinge uma fatia de mercado exigente, que está preocupada com a saúde. Todo ano falta, a produção não é suficiente para atender toda a demanda'', diz o produtor. Na sua avaliação, os agricultores da região deveriam investir mais na produção de morangos, uma vez que a produção regional não chega a 10% do total que é produzido.


