Preço do óleo de soja vai subir no mercado interno
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de setembro de 2001
Denise Angelo 
O aumento de cerca de 112 milhões de toneladas na produção brasileira de óleo de soja deste ano, comparada com a produção de 2000, não deve trazer vantagens para o consumidor final do produto. A variação cambial, que impulsionou as exportações dos grãos de soja este ano, somada à crise energética que o Brasil enfrenta e a dificuldade de entrada de produtos da Argentina no País, pode provocar um desabastecimento de óleo de soja no mercado nacional.
Segundo o consultor agrícola da FNP Consultoria e Mercado, Adriano José Timossi, o óleo de soja está em queda no mercado internacional por causa da grande oferta de óleo de palma, que vem da Malásia. Mas no Brasil, a tendência é de que os preços se mantenham estáveis porque com a desvalorização cambial, ficou mais vantajoso para o produtor exportar o grão.
''Para a indústria poder fazer o seu estoque e garantir a produção nos períodos de entressafra, está tendo que pagar um preço mais alto pela soja, um preço que seja vantajoso para o produtor vender para a indústria ao invés de exportar'', explica o consultor.
Ainda assim, Timossi acredita que a partir do mês de novembro o mercado pode ficar desabastecido. Isto porque, apesar da preocupação em manter os estoques, a crise energética fez com que algumas das próprias indústrias esmagassem menos soja este ano, optando também pela exportação do grão e podendo assim cumprir as metas de consumo de energia estabelecidas pelo governo federal.
Para completar o cenário complicado para o consumidor, o mercado brasileiro está de certa forma protegido dos produtos argentinos porque com a crise no país vizinho, as exportações foram reduzidas. É da Argentina que vem grande parte do óleo de girassol consumido no Brasil.
O presidente em exercício da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (abiove), César Borges de Sousa, confirma que a situação das indústrias este ano será ''mais apertada'' do que no ano passado. ''Temos estoques menores, a exportação aumentou um pouco e o esmagamento deve ficar nos mesmos patamares do ano passado'', salienta.
Porém, Sousa considera muito cedo para falar em desabastecimento. ''Prefiro falar em preços firmes'', acrescenta. Ou seja, para ele, a tendência é de que o preço do óleo de soja tenha aumento nos próximos meses. Sobre possíveis índices de elevação, Sousa considera muito cedo ainda para fazer uma análise.
O presidente em exercício da Abiove também não acredita que esse aumento possa chegar ao consumidor. Isto porque, segundo ele o varejo tem usado o óleo de soja como um chamariz, e por isso acaba não repassando o aumento para o consumidor final do produto.


