Preço do milho tende a aumentar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de abril de 1997
Alda do Amaral Rocha Agência Estado 
ArquivoProdutor deve vender com cautela, sugere Homem de MelloSÃO PAULO - O preço médio do milho ao produtor no Estado de São Paulo atingiu em março passado o menor nível desde janeiro de 1990, segundo levantamento realizado pelo professor Fernando Homem de Mello, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. No mês, o preço médio foi de R$ 6,30/saca. Na primeira semana de abril, o preço ainda estava em queda, a R$ 6,11 no dia 3. Ontem, no entanto, estava a R$ 6,26, o que indica um processo de recuperação, segundo Homem de Mello, que prevê novas altas do produto.
Ele aponta vários fatores que indicam tendência de alta para os preços do milho, mas afirma que a divergência entre as estimativas da Conab e do IBGE sobre a produção nacional nesta safra dificulta uma análise sobre o comportamento dos preços neste ano.
Pelos números da Conab, a safra normal mais a safrinha de milho devem somar 37,155 milhões de toneladas. De acordo com o último levantamento do IBGE, deve ser de 35,301 milhões de toneladas. Para o professor, se a previsão da Conab se confirmar, os preços podem ser pressionados, mas caso a do IBGE se confirme, a tendência é de fortalecimento dos preços.
Homem Mello diz que, particularmente, considera que a safra ficará entre 34,5 milhões e 35 milhões de t. A variável-chave é a dimensão exata da produção brasileira em comparação com o consumo, afirma. Ele trabalha com um número de 36,8 milhões de toneladas para o consumo este ano.
Segundo Homem de Mello, para analisar os preços do milho, é preciso considerar o comportamento dos preços nos mercados internacionais - Chicago teve alta de 10% nos últimos 60 dias - que podem estar sustentando os preços internos. Somado a isso, há os instrumentos do governo, como o EGF, o AGF, a antecipação do pagamento da primeira parcela da securitização e o mercado de opções. Diria que este ano, o governo está ajudando mais que em relação aos anos anteriores, afirma.
A perspectiva de aumento na produção avícola este ano e a recuperação dos preços dos suínos, que deve estimular a produção, também são fatores que apontam para aumento na demanda por milho e sustentação dos preços, segundo o professor da USP. Na sua opinião, haverá fortalecimento dos preços, mas os níveis ainda estão baixos. O produtor precisaria ser melhor remunerado para plantar a próxima safra.
De acordo com Homem de Mello, os instrumentos utilizados pelo governo estão tendo um efeito maior sobre o Centro-Oeste, onde os preços são tradicionalmente mais baixos devido a distância.
Em sua avaliação, o preço de R$ 7,15 indicado pelo governo para o exercício da opção em Goiás deve corresponder a R$ 8,70 no Paraná, base outubro. O governo está tentando sinalizar aos agentes do mercado um preço de R$ 8,50/8,70 no Paraná, em outubro, diz. Este preço é baixo, segundo o professor, pois considerando uma inflação acumulada de 10% no período, o valor real da saca seria R$ 9,30. O mercado vai pagar mais.
Fernando Homem de Mello recomenda que o produtor de milho seja cauteloso em relação à estratégia de vendas. Não deve vender tudo de uma vez. Segundo ele, se o consumo nacional for maior que a produção este ano, o governo terá de vender milho de seus estoques no segundo semestre. Ele não acredita, contudo, que seja necessário importar o produto. Atualmente, segundo seus cálculos, o custo da saca importada de Argentina ou Estados Unidos estaria entre US$ 10,00 e US$ 11,00, bem acima dos preços do mercado interno.
Para Homem de Mello, a possibilidade de exportar milho é pequena, a não ser esporadicamente. Levando em consideração os preços nos mercados internacionais, exportar seria viável, segundo ele, caso os preços internos estivessem abaixo dos R$ 6,00/saca, o que não ocorre atualmente.


