Sid Sauer
De Campo Mourão
Perdas causadas pela seca, baixo estoque governamental e baixo estoque em poder do setor privado. Estes fatores devem fazer com que o preço do milho continue em alta de janeiro a março, previu ontem o superintendente de comercialização da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), Roberto Petrauskas.
Ele prefere não arriscar para quanto poderá subir o preço da saca de milho, mas não discorda que ela poderá ficar na casa dos 10% sobre os preços atuais. Petrauskas também acha difícil estabelecer, hoje, o nível de perdas. Alguns falam até em 60%. O certo é que já se perdeu muito da produção, segundo Petrauskas. Por isso mesmo, ele prevê a próxima safra com oferta do produto ‘‘muito apertada’’.
‘‘Isso vai obrigar importações ainda maiores’’, ressalta Petrauskas. Segundo ele, certamente haverá falta do produto em algumas regiões do País, forçando maiores importações principalmente da Argentina. A desvantagem para o mercado, nesse caso, é o preço. O milho argentino chega ao Brasil R$ 2,00/saca mais caro do que o mercado interno. O Paraguai, que seria um exportador tradicional ao Brasil, com preços mais baixos, também sofre com a seca.
‘‘A safrinha terá um papel importantíssimo para regularizar a oferta do produto na próxima temporada’’, ressalta Petrauskas. Se há possibilidade de preços melhores entre janeiro e março, o superintendente da Coamo prevê um mercado sem elevações entre 15 de março em julho, em função da oferta da colheita. Petrauskas lembra que há riscos de um aumento exagerado de plantio na safrinha, o que faria os preços ‘‘despencarem’’.
Soja Já para a soja, Petrauskas prevê um panorama ‘‘bastante calmo’’, em função do maior prazo de plantio da cultura devido à estiagem. Com a situação climática normalizada, ele acredita que a safra nacional - inicialmente prevista em 31 milhões de toneladas - não fique abaixo de 29,5 milhões de t. ‘‘Em termos de Brasil, isso não é tão problemático’’, frisa. Receio, só se a falta de chuvas continuar e também ocorrer queda na produção da soja argentina.
‘‘Nesse caso, o estoque mundial seria reduzido rapidamente e poderia causar problemas’’, analisa Petrauskas. Os Estados Unidos, por exemplo, já tiveram uma quebra de 5 milhões de toneladas. O superintendente acredita, no entanto, que a tendência é de estabilidade de preços e que as variações dependem mais do comportamento da taxa de câmbio. ‘‘Os preços podem subir um pouco em janeiro, o que não significa que isso chegue até o produtor’’, ressalta.
Venda antecipada A venda antecipada da safra de soja está cerca de 50% menor do que no ano passado, informa o superintendente comercial da Coamo. ‘‘Em dezembro de 1998, 20% da safra já estava comercializada. Este ano, a comercialização antecipada não passa de 10%, revela Roberto Petrauskas. ‘‘Isso significa que chegaremos na colheita com um volume de oferta muito grande’’.
O superintendente atribui a redução da venda antecipada a dois fatores principais. Um deles é a expectativa da venda da soja a US$ 10,00 a saca, o que não está se concretizando - o produto está sendo vendido a US$ 9,00 a saca. Outro é o próprio fator climático. Com um grande volume de oferta na época da colheita, Petrauskas não vê sinais de melhora nos preços. ‘‘Acredito que a venda comece a se normalizar a partir do final de janeiro’’, diz.
‘‘Os preços, lá na frente, podem ser os mesmos de hoje, mas qual vai ser o comportamento do dólar?, questiona Petrauskas. Segundo ele, os preços, hoje, não atingiram a quantia esperada em função de um programa de sustentação de preços adotado nos Estados Unidos, que garantiu um preço mínimo bom e ‘‘sossegou’’ os produtores daquele país. ‘‘O programa americano foi perverso para o produtor brasileiro’’, explica.

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