A expectativa do anúncio de melhora nos estoques de milho dos Estados Unidos, com o novo levantamento do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA, na sigla em inglês) que deve ser divulgado hoje, pressionou as cotações do grão na Bolsa de Chicago. De acordo com o balanço da Céleres Consultoria, na última semana, as cotações do milho permaneceram em terreno misto, com fechamentos positivos e negativos até a última sexta-feira. O ritmo do mercado internacional se mostrou lento, com poucas negociações frente ao fraco desempenho das exportações norte-americanas.
Apesar do mercado ainda aguardar a definição da safra sul-americana de milho, as cotações futuras do grão começam a apresentar uma ligeira queda, principalmente a longo prazo. O contrato Dezembro/12 se manteve praticamente inalterado, em US$ 7,47 ¾/bushel segundo a Céleres, contra US$ 7,48/bushel da semana passada. O contrato Março/12 apresentou leve queda de 0,2%, fechando a semana em US$ 7,51½/bushel. "Ainda é cedo para uma explicação sobre os motivos dessa movimentação, mas estima-se que o novo levantamento do USDA indique aumento nos estoques. Além disso, a queda do dólar também afetou negativamente as cotações do grão no Brasil", comenta a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), Juliana Yagushi.
No Brasil, em todas as praças pesquisadas pela Céleres, os preços do milho apresentaram valorização em relação à semana anterior, em média de 1,9%. Em comparação ao mês anterior, a alta é de 9,2%. No Paraná, o produto também segue valorizado a R$ 27,71 na média da semana passada, valor 5% superior ao da média de novembro, R$ 26,35 por saca. Em contrapartida, Cascavel foi uma das poucas praças consultadas que apresentou queda, com redução de 2,2% nos preços semanais.
O principal reflexo da Bolsa de Chicago foi registrado no mercado estruturado na Bolsa de Mercados e Futuros (BM&F), marcado por fortes quedas na primeira semana de dezembro, tanto para contratos no curto quanto no longo prazo. Segundo a Céleres, para janeiro, a desvalorização foi 5,1% na semana, sendo cotado em R$ 34,48/saca. O contrato maio de 2013 foi negociado em R$ 30,95/saca.
A agrônoma do Deral explica que a elevação das cotações do milho no Paraná durante o mês de novembro estimulou agricultores a comercializarem a produção e o aumento de oferta de milho no mercado pode contribuir para pressionar os preços para baixo nas próximas semanas. "Os preços do milho devem manter a oscilação nesse patamar até o final do ano, mas esse é um mercado firme", ressalta Juliana.
A oscilação é fruto dos estoques ajustados resultantes do aumento da exportação brasileira de milho devido à alta demanda internacional pelo produto. Por outro lado, a expectativa para a próxima safra é favorável e deve manter os estoques nacionais do grão. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento é de que o Brasil exporte 20,5 milhões de toneladas de milho este ano, o que deve proporcionar um estoque final de 7,88 milhões de toneladas na safra 2011/12. De janeiro a novembro, o País exportou 16,98 milhões de toneladas do cereal, volume que representa 78% de toda a exportação de 2011. O Paraná comercializou volume recorde de 3,87 milhões de toneladas de milho no mercado externo durante os 11 primeiros meses do ano. A quantia é 152% superior aos 1,53 milhão de toneladas de milho exportadas em 2011.

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