Preço do milho reage, prevê analista
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Da Redação 
Josoé de CarvalhoVlamir: baixo estoque eleva preço do milho ainda este ano. Em 98, área e oferta menores, sustentarão o mercado O preço da soja deve cair em média R$ 3,00 por saca na próxima safra e o milho terá várias razões para reagir e sustentar preços altos, bem acima dos atuais, talvez na mesma porporção inversa da queda da soja. A previsão para a soja refere-se a safra 97/98, mas a ascensão dos preços do milho deve começar em agosto próximo.
É o que prevê o especialista em mercado agrícola Vlamir Brandalize, da Agência Globo. Ele deu palestra ontem em Londrina na Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada do Paraná. Com a aproximação da época de plantio da próxima safra de verão, cooperativas e seus produtores já se preocupam com o futuro do mercado antes de decidir o que plantar.
Segundo o analista, há uma expectativa de crescimento da área de soja em torno de 1 milhão de ha, 10% acima da área deste ano. Já o milho deve perder terreno, cerca de 1,5 milhão de ha em todo o País. No Paraná, esta redução será de 300 mil ha. A inevitável queda na oferta de milho e aumento da soja já seria suficiente para manter aquecido o mercado do milho. Mas há outros fatores que podem pressionar a alta, como a redução dos estoques em poder governo e do mercado.
Em setembro a situação dos estoques de milho estará bem definida e vai indicar redução da oferta. Os estoques do governo - hoje em 5 milhões de toneladas - devem chegar a 7 milhões em setembro, com a soma de produtos negociados na antecipação da parcela da dívida securitizada e AGFs (cerca de 2 milhões de t). O consumo interno é de 3 milhões de t/mês. Vlamir observa que esse estoque teria de abastecer o mercado no período de outubro a fevereiro. Segundo a Conab, o estoque do mercado, a esta altura, será muito baixo, não chegando a 2 milhões de t em setembro/outubro.
Diante desse quadro, a partir de agosto ou setembro os preços tendem a reagir. A análise de mercado apontando reação dos preços leva em conta ainda o aumento de demanda na avicultura, suinocultura e da própria indústria de derivados.


