Preço do milho provoca ''explosão'' da safrinha
Vânia Casado
De Curitiba
O preço do milho já avançou 33,5% em termos reais de julho até ontem, passando de R$ 9,73 a saca para R$ 13,00 no atacado. Para o produtor que ainda tem o produto para vender, poderá aplicar o lucro realizado para reduzir sua dependência de crédito e expandir o plantio no período da safrinha. Em função disso, o reflexo dessa alta poderá ser mais evidente durante o plantio da safrinha, que no ano 2000 deverá ter uma área próxima a 1,5 milhão de ha no Paraná, o que corresponde à área de plantio da safra normal de verão.
A análise é do assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra, ao avaliar o impacto da alta do milho no bolso do produtor e das cooperativas. Ele resume que o benefício esse ano para produtores e cooperativas será a redução da dependência de crédito de bancos. Turra destaca que desde a safra de 95 a produção de milho não tinha tanta liquidez como ocorreu esse ano. A expansão da área será estimulada pelo lucro que o milho teve esse ano, e que deverá manter no ano que vem.
Desde a safra de 95 o produtor vinha se desestimulando com a cultura em função das dificuldades de mercado. A produção começou a cair, ficando abaixo da demanda, mas a situação era equilibrada com a desova de estoques do governo e importações ágeis promovidas pela irrealidade do câmbio, afirmou Turra. A Conab chegou a manter em estoques 8,9 milhões de t de milho em 1995. Desde então foi reduzindo até atingir o estoque de 1,1 milhão de t esse ano, volume insuficiente para promover o equilíbrio entre oferta e demanda de milho.
Turra assinalou que o produtor começou a se beneficiar da alta no preço do milho, depois da safrinha. Mesmo com o impacto da alta dos insumos, que elevou o custo de produção para quase R$ 8,00 a saca, o produtor conseguiu se capitalizar. Apesar do bom preço, Ocepar está preocupada com redução do uso de tecnologias na safra de verão.





