ArquivoQuestão de diasMilho ainda conseguirá bons preços. Reação está próxima, na previsão do técnico da Conab Há um crédito R$ 20 milhões à disposição dos agricultores que queiram vender milho ao governo, pelo preço mínimo (R$ 6,70/saca), através do AGF. O dinheiro é suficiente para compra de 180 mil toneladas de milho, no Paraná. Apesar desse crédito, o preço do milho não reagiu como se esperava.
Segundo a Secretaria da Agricultura, o preço médio ao produtor continua em R$ 6,10 a saca, abaixo do preço mínimo. O técnico da Conab, Lafaiete Jacomel, ainda acredita numa reação dos preços a partir da próxima semana. O fato é que o dinheiro já está nas agências do Banco do Brasil em todo o Estado desde o início de julho e até agora não atraiu a atenção do produtor.
As agências do BB no interior já receberam R$ 15 milhões, mas a procura não revela ânimo entre os produtores. Para Norberto Ortigara, diretor do Deral, o produtor prefere entregar o milho na forma em que foi colhido por R$ 6,10 a saca na porteira da fazenda, do que investir em transporte, secagem e classificação do produto e ainda entregar em armazém credenciado como exige a Conab. Todo esse trabalho dá um diferencial de R$ 0,70 em média, sendo que o preço mínimo de R$ 6,70 a saca pago pelo governo não compensa, explica Ortigara.
Grande alta Para Jacomel, da Conab, são vários os fatores que estão influenciando a decisão do produtor em não vender o milho para o governo. Um deles ainda é a esperança de que o mercado vai reagir com uma grande alta no preço, admite. Depois a expectativa de uma estimativa de plantio de milho, menor do que no ano passado também exerce pressão na oferta do produto. O produtor está calculando que a oferta de milho para a próxima safra será menor e espera usufruir do ritmo de alta que já se vislumbra no mercado, acrescentou. Segundo estimativas de plantio, a área ocupada com milho cai entre 10% e 15% e certamente vai reduzir a oferta de milho para o ano que vem.
Além disso, as indústrias demonstram que estão estocadas e não estão invadindo o mercado. Enquanto algumas estão se abastecendo aos poucos com a oferta de milho safrinha que está sendo colhida, outras estão indo buscar o produto no Centro-Oeste. Lá, a oferta de milho aumentou desde que a Conab suspendeu a realização dos leilões de contrato de opção na região. Com a suspensão, os produtores mato-grossenses estão pressionando ainda mais a oferta do milho, despejando o produto no mercado. As empresas por sua vez estão indo devagar porque sabem que se agredirem o mercado o preço reage imediatamente, lembrou Jacomel.
Durante todo o primeiro semestre, o milho frustrou as expectativas dos produtores com a comercialização abaixo do preço mínimo. Entre fevereiro e março caiu para R$ 5,50 em média, reagindo em algumas localidades a partir de abril, mas mantendo-se entre R$ 5,50 e R$ 6,10 a saca.

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