Preço do milho mira paridade de importação
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sexta-feira, 01 de abril de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O preço da saca de milho atingiu R$ 49,91 ontem, conforme o indicador Cepea/Esalq/BM&FBovespa, e caminha para a paridade não mais com o valor para exportação, mas para o de importação, que é mais alto. A escassez do produto no Paraná prejudica principalmente os produtores de aves e suínos, que sofrem com o encarecimento do custo da ração e a queda da margem de lucro.
Para aliviar o desabastecimento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fez novo leilão de milho a granel e ensacado ontem, em um total de 26,7 mil toneladas, destinados a criadores de aves, suínos e bovinos. Porém, o produto está estocado no Mato Grosso e em Goiás, o que dificulta a participação dos paranaenses pelo custo de frete. Foram 13 leilões e 498,6 mil toneladas colocadas no mercado desde fevereiro, para atender a demanda dos próprios produtores de animais.
O professor de economia rural Eugenio Stefanelo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que grandes empresas têm buscado a importação do produto da Argentina e do Paraguai, para abastecimento do mercado paranaense. Apenas uma delas teria importado 500 mil toneladas e quem tem o grão estocado passou a aceitar vendê-lo pelo valor pago em importações. "O preço do milho exportado no Porto de Paranaguá está entre R$ 44 e R$ 46 a saca e o valor de importação é até R$ 5 maior", diz.
No Interior, o valor médio recebido pelo produtor fechou ontem em R$ 36,35, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). A economista Tânia Moreira, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), considera que a desvalorização cambial dos últimos dias fez com que os agricultores também segurassem a venda, para tentar lucrar mais no futuro. "É uma questão de mercado e caminha para isso à medida que se restringe a oferta", diz, sobre a paridade de preços com o produto importado.
Estabilização
A expectativa em entidades é que o abastecimento melhore apenas no segundo semestre, com a colheita do milho segunda safra. Entretanto, há chance de a redução no valor começar em maio. Isso porque o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou anteontem a previsão de que a área plantada do produto aumentará 6,4% para a safra 2016/2017 e chegará a 37,88 milhões de hectares, enquanto a de soja cairá 0,5%, para 33,28 milhões de hectares.
A tendência é que as intenções norte-americanas comecem a influenciar as cotações internacionais, explica Stefanelo. "A primeira safra deve ficar em 28 milhões de toneladas e a segunda, em 60 milhões, então deve regular o mercado a partir de agosto, com a colheita", diz. Ele aponta que o mercado estima em R$ 35 a R$ 37 a saca de milho no segundo semestre. Ainda, completa, foram exportadas 34,2 milhões de toneladas no ano comercial (início de fevereiro de 2015 ao fim de janeiro de 2016).
Tânia, porém, estima que a partir de maio, com o fim da colheita da primeira safra, as cotações devem começar a diminuir. Ela faz a ressalva de que a disparada do preço ocorreu diante de fatores previsíveis a todos. "Tivemos uma safra reduzida de grãos, exportação recorde e diminuição da oferta interna", diz. Tudo porque o preço do milho ficou muito baixo e houve redução da área plantada no Estado e no País.
Stefanelo diz que não há solução para o criador de animais. "O Paraná teve a menor área plantada de milho em 2015 porque o preço estava baixo demais e os produtores ficaram sem margem de lucro. Os avicultores tiveram uma margem grande na ocasião e agora é a vez do agricultor. É um ciclo", afirma.


