A forte demanda nos mercados interno e externo elevou o preço nominal do milho ao mais alto da história. A cotação do grão ultrapassou, nesta semana, a casa dos R$ 28 (a saca de 60 quilos) na Região Norte do Estado, atingindo o maior nível desde 2002, quando os altos preços foram combinados à valorização do dólar. No mercado futuro, a saca do grão já foi negociada a mais de R$ 37 para janeiro. Este cenário está sendo provocado pela ação de compradores no mercado interno - principalmente, as indústrias de ração - e das tradings, interessadas na exportação.
Segundo o pesquisador Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq), algumas tradings têm contratos para exportação neste mês de 360 mil toneladas de milho, enquanto os estoques portuários são de 168 mil toneladas. ''Há um grande volume a ser negociado e isso enxugou a oferta de milho no Paraná. O Brasil está batendo recordes de exportação desde abril'', observa. Até agora, o País já exportou cerca de 9 milhões de toneladas do grão, contra uma comercialização de 3,8 milhões de toneladas durante todo o ano passado.
Para Margoreth Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, houve uma falha nos setores público e privado porque não foi feito planejamento para a comercialização da safra, que já acarretou em alta de preços e pode gerar falta do grão em algumas regiões do País. Neste momento, o que tem ocorrido é uma resposta do mercado a uma possível falta do grão. Outro fator de influência é que muitos produtores e cooperativas têm segurado o produto em busca de melhor remuneração, esperada para o início do ano.
O analista sênios da AgraFNP (instituto privado de análises do agronegócio), Fábio Turquino Barros, lembra que, além da demanda, houve um atraso no plantio nas principais regiões produtoras (Paraná e Santa Catarina) devido à estiagem ocorrida no mês passado. Por isso, há o temor de que poderá faltar o grão no início de 2008. Segundo ele, neste ano, os estoques mundiais atingiram um dos menores níveis da relação estoqueXconsumo, com 14%. Normalmente, esta relação teria uma variação de 18% a 20%.
Apesar do cenário, o pesquisador Lucílio Alves, do Cepea, procura tranquilizar o mercado. Não há indicadores que apontem mais alta ou queda nos preços mas, segundo ele, em meados de janeiro já haverá oferta de milho no mercado interno da safra colhida no Paraná e no Rio Grande do Sul. ''Também há tendência de menor consumo, uma vez que as criações de aves e suínos, geralmente, são reduzidas. Ainda há outros fatores como o clima'', diz. Por enquanto, a estimativa do Deral indica um aumento de 5,1% na área plantada de milho nesta safra, atingindo 1,38 milhão de hectares.

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