Preço do milho estoura e surpreende produtores
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Quando os produtores de milho semearam a safra 2015/16 o preço da commodity estava bem pouco atrativo. Por causa disso, muitos agricultores paranaenses desistiram de plantar a cultura para dar lugar à soja. Porém, o que os produtores não esperavam no decorrer deste ciclo de verão foi o aquecimento repentino do valor do milho, que ficou tão atrativo ou até mais em relação à soja.
No início da semeadura do milho no Estado, em setembro passado, o preço médio recebido pelo agricultor estava em R$ 23,04 a saca, fechando em dezembro a R$ 24,34, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Na última quarta-feira, dia 27, o preço da saca de milho já estava cotado a R$ 32,58 (valorização de 41%).
Edmar Gervásio, administrador do Deral, explica que a elevação do preço do milho se deve à baixa disponibilidade do grão no mercado internacional, o que fez aumentar as exportações brasileiras da commodity. Com menos produtos disponíveis nos últimos meses, o valor do milho deu um salto. Além disso, completa Gervásio, o valor do grão no mercado externo se manteve em alta, o que elevou ainda mais a rentabilidade da cultura.
Para os grãos exportados, Gervásio completa que o peso do câmbio também favoreceu muito o mercado de milho. Com o dólar comercial superando a barreira dos R$ 4, vender milho para o exterior passou a ser altamente rentável. Contudo, frisa o especialista do Deral, nem todos os produtores serão beneficiados com essa apreciação do grão.
Contrato
O motivo, aponta ele, se deve ao fato de que muitos agricultores já estabeleceram preços em contratos no início da safra de verão, quando os valores estavam em baixa. "Na primeira safra de milho, o produtor atende principalmente à demanda das indústrias de aves e suínos por contrato com preço estabelecido na época de plantio", descreve Gervásio.
O cenário de preços baixos desestimulou muitos produtores a não semearem nenhum hectare de milho neste verão. Hoje, eles lamentam não ter destinado mesmo que uma pequena área para a cultura. Wilson Menin Junior, produtor na região de Mamborê (Norte), é um deles. Na safra 2015/16 ele semeou 785 hectares de soja e resolveu não plantar milho.
"Quando fui fazer o planejamento de safra, o preço do milho estava muito baixo. Hoje, o cenário está bem diferente". Menin Junior afirma que contrariou a recomendação agronômica de deixar uma pequena área para milho como forma de fazer rotação de cultura. Ele destaca que se soubesse que o valor do milho aumentaria tanto, destinaria pelo menos 35% da área para a cultura. "Ninguém sabia o que ia acontecer", lamenta o agricultor.
Volume de safra
Até o momento, segundo dados do Deral, 6% de uma área de 429 mil hectares plantados com milho nesta primeira safra já foram colhidos, e 5%, comercializados. A previsão em volume de produção é que saiam dos campos paranaenses 3,6 milhões de toneladas, 20% menor em relação à safra anterior, quando foram colhidos 4,65 milhões de toneladas.
Na segunda safra, os produtores do Estado já semearam 13% de uma área estimada em 2,02 milhões de hectares. A estimativa de produção esperada pelos pesquisadores do Deral é de 11,8 milhões de toneladas, contra 11,38 milhões de toneladas produzidas no mesmo período da safra anterior. Devido ao bom preço do milho, 20% da segunda safra de milho já foi comercializada, contra 7% no comparativo com o mesmo período do ano passado.



