Se confirmada a quebra da safra de milho nos Estados Unidos, motivada pela estiagem que vem afetando o país nos últimos meses, o preço da commodity poderá chegar a patamares nunca vistos no Brasil. De acordo com o último estudo realizado pela consultoria Céleres, se o mercado continuar em valorização, o preço da saca de 60 quilos poderá chegar, até ao final deste ano, a R$ 34. Atualmente, o valor do grão, na média do Paraná, gira em torno de R$ 25 a saca.
Juliano Cunho, analista de agronegócio da Céleres, lembra que o primeiro semestre foi de preços baixos devido ao aumento na área da segunda safra brasileira e também na grande safra americana. ''Essa perpectiva de uma valorização maior do milho daqui para frente não é certeza, já que em se tratando de mercado, tudo pode mudar'', afirma Cunho. O especialista explica que a demanda mundial está forte e as exportações dos Estados Unidos estão caindo, o que chega a favorecer o mercado nacional. Outra justificativa do analista em relação à expectativa de aumento de preços no segundo semestre é que no mês de setembro a oferta de milho dos principais países produtores é praticamente nula e nesse período, só o Brasil tem produção.
Diante dessa realidade positiva do mercado de grãos, o analista da Céleres recomenda aos agricultores que vendam a produção de forma escalonada para garantir bons preços nos próximos meses. ''O agricultor deve vender pequenos lotes e realizar negociações inteligentes para obter uma boa rentabilidade no decorrer deste ano'', observa. Ele completa que o segundo semestre será um bom período para negociações, mas o produtor deve sempre ficar atento as condições de mercado.
O economista Marcelo Garrido, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), destaca que a rentabilidade do produtor melhorou, mesmo com os últimos aumentos nos custos de produção. O último levantamento de maio do Deral aponta um valor gasto pelo produtor de R$ 14,08 por saca, 12,2% a mais em comparação com o mesmo período do ano passado. ''O preço da commodity, por enquanto, tende a continuar alto, grantindo uma boa rentabilidade ao produtor'', reforça Garrido.
Flávio Turra, economista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), aponta que o Estado está com produtos sobrando nos armazéns e, por isso, ele orienta também os produtores de grãos a escoarem uma parte da safra. Devido à influência do aumento da produção de grãos e de preços, Turra destaca que o faturamento das cooperativas agropecuárias em 2012 deve crescer 5% em relação ao ano passado. Em 2011, o setor arrecadou R$ 26,7 bilhões.
Porém, Turra afirma que esse crescimento é pequeno. O motivo, explica ele, é porque outros setores, como a avicultura e a suinocultura, estão sendo prejudicados pelo alto valor das commodities agrícolas, que encareceram diretamente os valores da alimentação dos animais. ''O momento é favorável para o setor de grãos, mas estamos preocupados com o setor pecuário'', destaca. Para amenizar os prejuízos na suinocultura, por exemplo, o governo já lançou um pacote de medidas que prorroga o pagamento de dívidas dos produtores e libera linhas de crédito para custeio. Na semana passada, o Ministério da Agricultura disponibilizou ao setor produtivo R$ 200 milhões.
Cenário
Neste ciclo, o Paraná incrementou em 20% a área plantada com milho segunda safra, passando de 1,69 milhões de hectares contabilizados no ano passado para 2,03 milhões de hectares no atual ciclo. Em termos de produção, o Estado estima produzir 10,32 milhões de toneladas do grão, ante 6,36 milhões de toneladas do ciclo 2010/11. Até a semana passada, o Paraná já havia colhido mais de 12% da área. Devido aos bons preços de mercado, o economista Marcelo Garrido, do Deral, completa que 22% da safra já foi comercializada.

Imagem ilustrativa da imagem Preço do milho deverá crescer
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