O preço médio do milho ao produtor registrou aumento de 13,47% entre a primeira semana de dezembro e a primeira semana de janeiro, segundo levantamento do professor Fernando Homem de Mello, da Universidade de São Paulo. Na primeira semana de dezembro, o preço era de R$ 8,09/saca; na segunda, de R$ 8,22 e na terceira de R$ 8,41. Na quarta semana de dezembro, o milho subiu para R$ 8,74 e na primeira semana de janeiro, para R$ 9,18, de acordo com Homem de Mello.
O preço verificado na primeira semana de janeiro é o maior no período de um ano. O maior preço médio registrado nesse espaço de tempo foi R$ 8,36, em dezembro, e o menor, R$ 6,30, atingido em março passado. A média em janeiro de 96 foi R$ 8,42 por saca. Para Homem de Mello, a alta está relacionada ao nível baixo do Preço de Liberação de Estoques (PLE) que é de R$ 8,64/saca base São Paulo e uma oferta menor do produto.
O PLE baixo sinalizou que o governo venderia a R$ 8,64, mas isso não ocorreu em quantidades suficientes para manter o mercado nesses níveis. Na opinião de Homem de Mello, a diferença entre o PLE e o preço praticado no atacado paulista, ao redor de R$ 11,10, seria inaceitável ‘‘se tivéssemos uma política eficiente de estoques reguladores’’.
Em 98 as indústrias vão sentir falta de milho. O professor da USP defendeu uma medida que vai contra os interesses dos produtores: um aumento da oferta nos leilões oficiais neste período como forma de evitar fortes altas para o milho, já que os meses de dezembro e janeiro são o pico da entressafra. Com um consumo aproximado de 3 milhões de toneladas no mês, Homem de Mello considera que, no auge da entressafra, uma oferta de 450 mil t no leilão oficial, ‘‘talvez não seja tão grande’’. Leilão realizado quarta-feira ofertou 439 mil t.
Ele avalia que os leilões com milho do Mato Grosso, com pagamento de bônus, não têm grande interesse porque o consumidor valoriza o produto melhor localizado e quer evitar a burocracia de algumas operações de venda do governo. Essa preferência pelo produto melhor localizado contribuiu para a alta no disponível paulista, segundo Homem de Mello.
O economista disse que se o governo aumentar a oferta nos leilões e com a aproximação da colheita do milho, a tendência é de que os preços se acomodem. Em sua avaliação, a entrada efetiva do produto da safra nova deve ter um atraso de cerca de 15 dias nas regiões produtoras, devido às chuvas.
Consumo O economista trabalha com a previsão de aumento de 2% no consumo de milho este ano. Isso seria provocado pelo maior consumo de frango, uma vez que a carne bovina vive um ciclo de alta. Nesse cenário, Homem de Mello considera pequena a produção de 32 milhões de t de milho estimadas pela Conab (primeira safra mais safrinha).

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