Preço do metro quadrado está em queda desde 1995
Pelo menos há dois anos o preço do metro quadrado na Higienópolis está caindo. O imobiliarista Milton Franco afirma isso já calculando o tamanho da queda: 30% no período. Ele, que com a família foi o primeiro a ter alvará na avenida, em 1980, acha que o fato de Londrina já ter outras avenidas interessantes derruba naturalmente os preços da Higienópolis. Ainda assim, é um espaço caro.
Comercialmente falando, a avenida é fragmentada. No alto da Higienópolis estão os imóveis mais caros. Uma data nas proximidades do Banco Sudameris custa em torno de R$ 300 mil, já nas imediações do Galpão Nelore, poucas quadras abaixo, vale R$ 200 mil. Em relação a outras áreas da cidade, o preço cai mais ainda. Franco observa, porém, que as datas já são raras ao longo da avenida e que hoje não se faz nada por ali com apenas uma data. Vão duas para se construir um prédio. Casa, na Higienópolis, ninguém quer - diz ele.
Franco lembra que houve época em que um terreno era vendido por US$ 1 milhão na faixa nobre. Hoje não acontece mais isso, comenta, informando que até mesmo a procura por aluguel tem caído. E não por causa de preços. O aluguel de um salão de 260 metros quadrados está em torno de R$ 1.800,00; é um preço normal - nem todos concordam. O que não é normal, segundo ele, é o valor do IPTU. A imobiliária paga cerca de R$ 10 mil. Na verdade, a coleta de lixo é que encarece o IPTU, eu não entendo isso; eles (a prefeitura) pensam com a cabeça de dez anos atrás, reclama o imobiliarista.
Neide Pires Bonifácio acha que os proprietários de imóveis é que estão fora da realidade. Depois de sete anos num dos pontos mais caros da Higienópolis, ela resolveu levar o seu restaurante para o Shopping Catuaí, em junho. Não suportava mais o aluguel e a falta de estacionamento para a clientela. Vivia sob pressão: O dono subia o aluguel a cada 90 dias e não reformava a casa (sobrado); eu acabei fazendo isso, na parte de baixo, e ele ainda queria que eu reformasse a parte de cima, o telhado.
Desanimada com a situação, e com a queda do movimento depois do Real, e com a concorrência, Neide acabou aceitando o convite (o terceiro) do Catuaí. No dia que saiu, 10 de junho, fez questão de contar os imóveis fechados na avenida. Do número 19 da Higienópolis - o que ela ocupava - até o cruzamento com a J.K., viu 23 salas para alugar. A esses preços, eles não vão alugar nunca.
Coisas da Higienópolis. Salas vão fechando e novos negócios vão surgindo, tudo ao mesmo tempo. Terça-feira o McDonalds inaugura o primeiro drive-thru da cidade, na Higienópolis. Investimento de R$ 1,6 milhão em 356 metros quadrados de área construída. São dois pavimentos com estacionamento e playground.
Vizinhos há 22 anos, Newton Moraes e Djalma Pereira estão entusiasmados com o negócio que acabam de fazer. Trocaram dois terrenos (com casa e imobiliária) por salas comerciais do Higienópolis Boulevard Center. Será um prédio de 18 andares com shopping e áreas de lazer, também. No alto da avenida. Essa é a nossa contribuição para a cidade, afirma o dentista Newton Moraes.
Há 50 anos em Londrina, ele tem verdadeira paixão pela Higienópolis, mas admite: O problema é que ela é cara, seletiva; e o preço não vai cair, não. A falta de estacionamento é outro problema apontado por ele. Meus pacientes ocupam a minha garagem, porque sempre tem gente estacionando o carro na porta da clínica.
O presidente do sindicato do comércio varejista, Igarassu Louzada, também fala que é hora de mexer na Higienópolis para incrementar o comércio. Ele faria do canteiro central um estacionamento do tipo espinha de peixe, rebaixaria as luminárias e implantaria um sistema de segurança preventiva ao longo da avenida. Os consumidores reclamam muito, e com razão, destaca, cobrando da administração pública melhores condições para a Higienópolis. (B.F.)





