As redes de supermercados de Curitiba já estão fazendo megapromoções com o leite longa vida. O produto que teve seu preço elevado para R$ 1,30 a R$ 1,35 o litro logo após as geadas, está sendo ofertado por R$ 0,85 a caixa em ‘‘promoções-relâmpago’’ de alguns supermercados. As ‘‘liquidações’’ do leite representam uma reação do varejo e da indústria à rejeição do consumidor, que não aceitou pagar o preço durante o período de escassez.
O superintendente da Sudcoop, Elias Zydeck, admite que o preço do leite longa vida subiu muito e o consumidor reduziu as compras. A Sudcoop recebe a produção de leite da região Oeste do Paraná e industrializa o leite da Região Metropolitana de Curitiba, através da Centralpar. Nos últimos 20 dias, a queda no preço do leite longa vida ficou entre 20% e 25%, estimou Zydeck.
Para driblar os preços do leite considerados alto no período de entressafra, o consumidor migrou para o leite pasteurizado. Segundo Zydeck, como a diferença entre o preço do leite longa vida e o pasteurizado ficou acima de R$ 0,20 por unidade, que seria a margem aceita pelo consumidor, houve forte migração para o pasteurizado.
Além da retração no consumo e preços altos, a queda no preço do leite está sendo motivada ainda pela recuperação das pastagens de inverno que foram bastante castigadas pelo inverno mais rigoroso dos últimos tempos, explicou Zydeck. A redução no preço do leite longa vida está sendo mais acelerada em relação ao leite pasteurizado em função da dificuldade que as indústrias têm de carregar o estoque, explicou João Carlos Koeller, médico veterinário da Secretaria da Agricultura do Paraná.
Isso porque as pastagens estão se recuperando, mas o período de safra do leite deverá ocorrer somente entre novembro e dezembro, quando se espera um aumento significativo da produção. Por enquanto, o aumento de produção deve ficar entre 4% e 5%, proporcionado pela recuperação das pastagens e maior disponibilidade de alimento para o gado.
Para Gilson Rosa, gerente comercial da Confepar, de Londrina, daqui para frente vai ficar cada vez mais difícil para as indústrias trabalharem com estoques superior a sete dias. Segundo ele, é preferível trabalhar com uma margem de lucro menor mas girar a mercadoria rapidamente do que ter um lucro maior e o produto fica encalhado na prateleira de supermercado.
Segundo Rosa, a Confepar não chegou a ter o leite encalhado no período que o produto estava sendo comercializado no varejo acima de R$ 1,30 o litro, porque a indústria procurou outros mercados para equilibrar vendas. ‘‘Com isso, a empresa continuou trabalhando com pouco estoque’’, lembrou. Mas agora, como a tendência do setor leiteiro é aumentar cada vez mais a produção, as indústrias estão se antecipando e fazendo parcerias com os supermercados para não ficar com estoques. Rosa destacou que as megapromoções estão sendo feitas no País inteiro.
Rosa explicou que no caso da Confepar, que industrializa em torno de 150 mil litros de leite longa vida por dia, o máximo que fica com estoque são os últimos sete dias do fina do mês. ‘‘Acima disso, é prejuízo certo’’, explica. Ele calcula o valor do estoque da Confepar em R$ 680 mil, tendo por base o custo do leite longa vida no atacado, que é de R$ 0,75 o litro.

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