Preço do leite tipo C subiu 13% em seis meses
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O litro de leite C está 13% mais caro para consumidor. De janeiro a junho, o produto passou de R$ 0,93 para R$ 1,06, em média, no Estado. Alguns derivados também registraram alta. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o queijo frescal valorizou 20%, passando de R$ 7,47 para R$ 8,97 o quilo. O queijo parmesão subiu de R$ 23,01 para R$ 24,75, com alta de 7%.
Enquanto o consumidor paga R$ 1,06 por litro de leite C, a indústria recebeu, em junho, R$ 0,86 pelo leite pasteurizado, de acordo com o preço de referência do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite). O produtor, pelo mesmo índice, vendeu o litro de leite cru por R$ 0,46. ''Vendemos por menos de R$ 0,50 para o produto chegar a quase R$ 2,00 nas gôndolas dos supermercados'', questionou o produtor José Manuel Mendonça, de Cascavel, referindo-se ao leite longa vida.
''Como o poder aquisitivo da população está baixo, o produtor e a indústria abrem mão da margem de lucros. Os supermercados, por outro lado, não aceitam diminuir as margens'', criticou ele, cujo custo de produção, atualmente, empata com o valor que recebe pelo leite.
Com base nos números divulgados pelo Conseleite e Deral, a margem de lucros do varejo, sobre o leite C, é 23%. No caso do queijo muzzarela, vendido a R$ 7,02 por quilo pela indústria e comercializado a R$ 10,26 pelo varejo, a margem é de 52%. O parmesão, no atacado, custa R$ 15,36 por quilo, ante R$ 24,75 nos supermercados, com margem de 61%.
O engenheiro agrônomo e economista José Roberto Canziani, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), comentou que as grandes redes têm o poder de definir suas margens, ao contrário dos outros elos da cadeia, que se sujeitam à pressão do mercado.
Segundo ele, as empresas oferecem produtos da cesta básica com preços atraentes, para chamar os consumidores, mas compensam os descontos praticando margens abusivas em outros produtos. ''Dos três elos da cadeia, com certeza as margens do varejo são muito maiores'', disse.
Ele acrescentou que, por causa da entressafra, os preços de junho tendem a ser mais altos. Em julho, com a normalização da produção, o preço do leite ao produtor já começou a cair. No primeiro decênio do mês, o produto foi comercializado por R$ 0,45. Em janeiro, no pico da safra, o produtor recebia R$ 0,40. ''As variações acompanham a sazonalidade do setor.''


