Preço do leite sobe 9% em abril
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Vânia Casado 
O setor leiteiro começa a reagir após viver em crise permanente nos últimos dois anos. Os preços praticados ficaram abaixo dos custos de produção com exclusão de muitos produtores. No Paraná, o preço do leite recebido pelo produtor teve uma reação de 9% na primeira semana de abril. O preço médio do leite tipo C que era de R$ 0,22 em março evoluiu para R$ 0,24, na última semana. No período Outono-Inverno começa a entressafra, que reduz a oferta de leite e a tendência da produção é recuar entre 10% a 20%, provocando a alta de preços. Até o mês de maio o produtor poderá receber até R$ 0,30 pelo litro de leite tipo C.
No varejo, o leite tipo C foi comercializado por R$ 0,66 o litro em março, um aumento de 6,45% em relação ao mês de fevereiro quando o produto foi comercializado por R$ 0,62 o litro. Os derivados também tiveram elevação de preço. O queijo prato que era comercializado no atacado por 3,19 o quilo em dezembro de 1998, foi comercializado por R$ 3,41 na última semana de abril, um aumento de 6,9%. O queijo mussarela que foi comercializado por R$ 3,38 em dezembro de 98 evoluiu para R$ 3,63 na última semana, uma variação de 7,4%.
No varejo, as variações foram maiores. O queijo prato que era vendido por R$ 5,70 o quilo em dezembro de 1998, foi comercializado por R$ 6,56 em março, uma elevação de 15%.
O presidente da Centralpar, cooperativa que industrializa o leite das cooperativas Clac e Witmarsun, Diethard Pauls, reconhece que a desvalorização cambial está ajudando o setor. Segundo ele, as importações ficaram mais caras e o leite produzido aqui ficou mais competitivo.
Para o presidente do Sindileite, Wilson Thiensen, a crise derrubou produtores, indústrias e cooperativas. Ele observa que apesar da reação no preço do leite, o setor está convivendo com a alta exagerada no custo dos insumos e medicamentos veterinários.
Segundo a Secretaria da Agricultura, o país importou 2,22 bilhões de litros de leite no ano passado. Mesmo com a desvalorização cambial, a previsão é importar mais 1,5 bilhão esse ano. Para o médico veterinário João Carlos Koehler, da Seab, as importações vão continuar até que os produtores se tornem competitivos e voltem a ampliar as estruturas de produção.
Nas regiões de Castro e Ponta Grossa os produtores são mais beneficiados. Além dos preços maiores eles conseguem um aumento de produção de até 20%, entre os meses de abril a julho, período de queda de produção em outras regiões. É que eles são mais tecnificados e recebem mais por isso. Na primeira semana de abril eles passaram a receber R$ 0,26. Em Londrina e Maringá, R$ 0,24, em União da Vitória, R$ 0,25 e em Umuarama, região típica de gado misto e baixa produtividade, os produtores estão recebendo em média R$ 0,20. O custo de produção está avaliado entre R$ 0,18 e R$ 0,20 conforme a produtividade da região.


