Apesar das perdas de pasto do Paraná, a produção de leite ‘‘não deve continuar caindo’’, previu ontem Elias Zydeck, presidente da Central Cooperativa de Medianeira (Sudcoop). Sugeriu que o consumidor não espere por novos aumentos.
Contudo, o quadro apertado na produção deve permanecer até novembro, enquanto não houver recuperação total das pastagens.
A Sudcoop recebe a produção de leite da região Sudoeste do Paraná e industrializa o leite da região Metropolitana de Curitiba, através da Centralpar.
Para Zydeck, o clima deve provocar uma redução de 18% na produção de leite nessa época do ano. Ele destaca que a situação mais difícil fica para o produtor que não se preparou com silagem para atravessar o período de inverno e agora teve o pasto queimado. Terá que recorrer à ração, o que deve encarecer seu custo. Zydeck previu pelo menos mais 60 dias de dificuldades ao produtor, até o retorno das pastagens.
Ele não acredita que a alta no custo de produção será repassada ao consumidor, pois o preço vigente no mercado bateu no teto e está compatível com o preço do produto importado. Nelson Costa, da Ocepar, também descartou o aumento de preços ao consumidor. ‘‘Se a escassez de leite se agravar no Paraná, poderá viabiizar a importação da Argentina e Uruguai’’, afirmou. Ele também concorda que os próximos 30 dias serão problemáticos ao produtor, que deverá enfrentar uma alta nos custos de produção.
Essa alta será sentida pelos produtores menos especializados que não conseguiram fazer silagem e feno. ‘‘Não é o que acontece com os produtores da bacia leiteira de Castro, onde a produção de leite está até aumentando’’, lembrou. Costa disse ainda que muitos produtores das regiões Norte e Oeste vão aproveitar a produção de milho e trigo que foi queimada pela geada, mas que ainda apresenta massa verde, para triturar e ofercer como alimento aos animais, em substituição à compra de ração.
Redução nas importações As geadas não deverão estimular o aumento das importações de leite. Segundo Vicente Nogueira Netto, chefe do departamento econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), as importações estão em declínio esse ano e deverão continuar assim porque a previsão é de aumento na produção de leite nos demais estados do País.
Segundo Netto, as importações já caíram entre 15% e 17% e a produção brasileira deverá crescer 5%. Esse ano, deverão ser produzidos no País 20,09 bilhões de litros de leite. Com isso, as importações que foram em equivalente leite de 2,41 bilhões de litros no ano passado, devem reduzir para 2 bilhões de litros esse ano.

mockup