A entressafra na produção do leite deu um pequeno fôlego aos preços de comercialização para o produtor no mês passado. Entretanto, os valores continuam bem abaixo dos praticados em 2014 e preocupa o setor, que enfrenta aumentos substanciais nos custos de produção. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que calcula a média do volume captado em sete estados, aponta um aumento de 4,5% entre março e abril, atingindo o preço líquido de R$ 0,89 no litro. No Norte Paranaense, o valor é 8,3% superior, na mesma base de comparação, chegando a R$ 0,82. No Estado, a alta foi de 4,5% em dois meses.
Entretanto, quando se contabiliza a inflação (IPCA) do período, os valores reais sofreram retração média de 15,9% no País em comparativo ao ano passado. É natural o aumento dos preços nos meses de entressafra, mas este ano isso está acontecendo de forma mais amena, já que a demanda pelo leite e seus derivados não está tão aquecida. O Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Laticínios Paranaenses (Conseleite), que reúne representantes de produtores rurais e indústrias de laticínios, confirma que os preços são os piores em três anos. "Estamos amargando esses preços baixos e uma expectativa de 6% na queda de produção, o que deve fazer com que os valores pagos melhorem, mas não nos patamares anteriores", explica o presidente do Conseleite, Ronei Volpi.
A captação do leite pelos laticínios e cooperativas teve queda em todos os estados acompanhados pelo Cepea. Minas Gerais e São Paulo registraram as diminuições mais acentuadas, de 9,45% e de 8,9%, respectivamente, seguidos pelo Paraná (6,26%), Goiás (5,82%), Santa Catarina (4,79%), Rio Grande do Sul (2,33%) e Bahia (2,19%). "O ambiente econômico pessimista faz com que as famílias fiquem mais conservadoras no momento das compras. Elas diminuem o consumo dos derivados, que possuem maior valor agregado, como queijo, iogurte e outros produtos industrializados. A nossa expectativa é que com a chegada do outono/inverno melhore o consumo do leite fluido", complementa Volpi.
O analista de mercado do Cepea, Wagner Yanaguizawa, relata que entre junho de 2014 e fevereiro deste ano a indústria investiu muito na aquisição de matéria-prima e não conseguiu fazer a comercialização do que adquiriu de maneira efetiva. "Neste ano, observa-se maior cautela dos representantes da indústria para não acumular estoques, como ocorreu no semestre passado. Agora, os preços estão oscilando bastante porque a indústria está comprando de acordo com o comportamento do consumidor na outra ponta da cadeia", explica o pesquisador. Para este mês, a expectativa é de que os preços do leite sigam em alta, ainda impulsionados pela oferta restrita de matéria-prima, mas com menor intensidade.

Custos de produção
Além dos preços pagos estarem abaixo dos de 2014, os custos de produção também têm assustado os produtores de leite, principalmente no que diz respeito à alimentação, mão de obra e energia elétrica.
Só com a alimentação, a representatividade nos custos gira em torno de 40% a 50% para os animais em lactação. "Se o dólar salvou os produtores de soja e do milho, para nós que dependemos dessas commodities para alimentar os animais está bem complicado. Já no que diz respeito à energia elétrica, para aquelas propriedades que são mais tecnificadas, com câmaras de resfriamento, ordenhas e outros equipamentos, fazer o equilíbrio das vendas e gastos é um grande desafio", finaliza Ronei Volpi.

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