Preço do leite deve fechar ano em alta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os consumidores devem se acostumar com a idéia: os preços do leite não vão cair. Análises de mercado indicam que o custo do produto deve continuar nos atuais patamares ou ter apenas um leve recuo. A alta é puxada, basicamente, pelo mercado internacional, que aliou aumento da demanda e queda dos estoques mundiais.
Estatísticas do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que entre o mês passado e julho de 2006 o preço do leite longa vida aumentou quase 50% no varejo, enquanto o preço recebido pelo produtor no mesmo período foi reajustado em 38%.
''O consumidor tem que se acostumar a pagar um preço justo pelo leite. Mesmo com a alta o leite ainda é mais barato do que água ou sucos nos supermercados'', afirma Maria Sílvia Digiovani, secretária do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite) e engenheira agrônoma da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Já Maurício Palma Nogueira, sócio-diretor da Scot Consultoria (empresa privada de análises), o produtor apenas recuperou o preço, uma vez que a cotação registrada no ano passado (R$ 0,50 o litro) foi um dos mais baixos da história da pecuária leiteira.
''Os preços recebidos devem alcançar os patamares registrados há seis, sete anos, quando a média ficou em R$ 0,60 o litro (com correção da inflação). Atualmente, esse preço é de R$ 0,58'', informa Nogueira. Neste mês, o preço médio do litro no País está em R$ 0,75; no Paraná, a média é um pouco maior: R$ 0,79. Ele acrescenta que o custo do leite tem registrado alta desde março. Agora quando a cotação poderia começar a recuar, a seca registrada no Paraná contribuiu para a estabilidade dos preços. A estiagem reduz as pastagens, ocasionando queda na produção. Neste panorama, os preços podem apresentar leve recuo somente a partir de outubro, quando tem início o período de chuvas (quando as pastagens melhoram).
Mas o cenário internacional é considerado determinante para a alta de preços. Países tradicionais exportadores - Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos - enfrentaram forte seca, reduzindo a produção. ''Isso desestruturou o mercado'', explica Maria Sílvia Digiovani. Além disso, a União Européia (também grande exportador) também passou a atender o próprio mercado, ao mesmo tempo em que os estoques internacionais atingiram níveis baixíssimos. ''Esses estoques não serão recompostos em apenas uma safra. Esses níveis de preços vão durar, no mínimo, mais dois anos'', avalia a secretária do Conseleite.
Produção - Segundo o técnico e médico-veterinário do Deral, Fábio Mezzadri, nesta entressafra o Paraná registrou uma queda na produção de até 30%. ''A maioria da produção é de gado criado em pasto e, por isso, há redução'', explica. Segundo levantamento feito pelo órgão, o preço do leite longa vida subiu quase 50% no varejo. Já o custo do litro de leite C aumentou 33,6%, enquanto o leite em pó (400 gramas) teve reajuste de 20,8%.
As exportações parananeses de produtos lácteos e derivados aumentaram mais de 23% neste primeiro semestre, se comparado com o mesmo período de 2006. Nos primeiros seis meses deste ano, foram comercializados 2.079 toneladas de produtos, enquanto no mesmo período do ano passado o volume comercializado foi de 1.757 tonelada. Grande parte deste comércio é de leite em pó.


