Preço do leite ao produtor sobe 9,27%
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Tomas Okuda<br>Agência Estado 
São Paulo - O leite tipo C pago ao produtor em junho, referente ao leite entregue em maio, teve alta de 9,27% na média ponderada de todas as bacias (em seis Estados) pesquisadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Trata-se da maior variação mensal desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Conforme os pesquisadores, esse aumento certamente pesará no bolso do consumidor, mas para o produtor significa uma recuperação de margem, já que os gastos com alimentação do rebanho, que podem representar de 35% a 65% dos custos totais, dependendo do sistema produtivo adotado, quase triplicaram desde 1998 - período de registros do Cepea.
Cálculos do Cepea indicam que, nos últimos seis anos, a alimentação à base de silagem de milho para vacas com produção de 15 litros por dia subiram 176% e a à base de cana picada teve aumento de 195%. No mesmo período, o leite tipo C, na média ponderada (por volume) dos seis Estados pesquisados, subiu 107,3%.
Os pesquisadores observam que, além dos custos terem aumentado mais que os preços do leite, o valor pago aos produtores está defasado em relação à inflação medida pelo IGP-DI. Nos últimos 12 meses, a variação do IGP-DI foi de 8,03%, enquanto o preço do leite subiu 6,04%, isto é, houve uma queda no poder de compra do produtor por volta de 2,4% nos últimos 12 meses. Para que o pecuarista tivesse mantido sua renda real inalterada, sua produtividade deveria ter crescido 3,14% no período. Nos mesmos 12 meses, a alimentação à base de silagem de milho registrou aumento de 16,5% e feita à base de cana picada subiu 18% (segundo preços de São Paulo).
Pesquisadores do Cepea observam que as variações entre os preços do leite pagos aos produtores estão cada vez maiores. Aqueles com volumes superiores a 3.000 litros por dia e com uma qualidade de leite razoável - segundo critérios de alguns laticínios - chegam a receber R$ 0,65 por litro em São Paulo. Já pequenos produtores, que entregam menos de 50 litros por dia em latão, podem receber até R$ 0,38 por litro no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais - ou seja, uma variação de 71%. Nos três principais Estados produtores, os reajustes ao produtor chegaram à casa dos 9% em São Paulo, 10% em Minas Gerais e 11% em Goiás.
Essas variações, segundo o Cepea, podem ser atribuídas aos indícios de aumento de consumo de leite e derivados, auxiliado pelo frio mais intenso e duradouro deste ano, justamente num período em que a produção é reduzida por causa da entressafra). Em Minas Gerais, algumas cooperativas estão incentivando a produção leiteira, principalmente daqueles produtores que tendem a direcionar suas propriedades para o setor agrícola. Já no Paraná as geadas ocorridas em maio surpreenderam os produtores e laticínios, que se depararam com uma queda significativa na oferta do produto, valorizando o preço do leite ao produtor.


