Preço do grão está em queda
O preço do café está em queda neste ano. De janeiro a maio de 1999, a média do preço composto apurado pela OIC caiu 16% em comparação com a média de todo o ano de 1998. Já em comparação com 1997, o preço recuou 37% na média. O preço composto leva em conta o valor do produto em suas diversas especialidades (como o arábico brasileiro e o suave colombiano).
Um dos fatores da queda do preço do produto foi a desvalorização do real, em janeiro. A produção brasileira ficou mais barata em dólar. Para competir com o Brasil, outros exportadores colocaram mais café para vender (usando estoque produtivo) e diminuindo a margem de lucro.
‘‘Os produtores brasileiros, no entanto, enfrentarão problemas pois terão que refinanciar suas lavouras. Os benefícios do real desvalorizado estão sendo sentidos no momento da venda, mas haverá um aspecto maligno na hora da compra de insumos e na tomada de empréstimos’’, analisou, em entrevista a agências internacionais, Marisol Delgado, presidente da empresa Café do Caribe.
‘‘O Brasil e a Colômbia passaram a ter vantagem. Todo mundo vendeu mais do que deveria. Isso pressionou o preço’’, disse Manoel Vicente Bertone, do CNC (Conselho Nacional do Café).
Na última semana, a saca de 60 quilos foi negociada a US$ 103,50, em média. Em janeiro de 1998, a média era de US$ 175,04. De acordo com Richard Mathieson, da Isoldi Corretora, não há perspectivas de recuperação, já que o inverno rigoroso esperado pelo mercado não está acontecendo. Isso elimina a possibilidade de geadas e de carência de produto (o que elevaria o valor do café).
‘‘Produzir café tem sido um negócio muito difícil no Brasil. A pulverização de produtores (são 240 mil no país) traz uma concorrência muito predatória’’, disse David Nahum Neto, da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). ‘‘Precisamos trabalhar com um número menor de varejistas. Há uma necessidade de reformulação estrutural e profunda’’, declarou.

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