Rio de Janeiro O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) para uso comercial e industrial terá novo aumento no dia 1º de janeiro, três dias após o último reajuste anunciado pela Petrobras. A alta será de R$ 112,20 por tonelada e foi informada às empresas do setor no mesmo dia em que foram avisadas do aumento de R$ 52,20, que entrou em vigor anteontem.
O novo aumento refere-se ao custo das importações de GLP feitas pela Petrobras, que serão repassados integralmente aos distribuidores do produto. A estatal informou às empresas que importou 54 mil toneladas em novembro e 75 mil toneladas em dezembro. O custo das importações de novembro já foram repassadas no reajuste deste fim de semana. O valor referente a novembro entrará em vigor amanhã.
Cerca de 30% do GLP consumido no Brasil é importado e a Petrobras, em reunião com as distribuidoras, decidiu repassar integralmente o custo das importações, a fim de incentivar as empresas a fazerem suas compras no mercado exterior por conta própria. Este volume é destinado ao consumo residencial e industrial. Os 70% consumidos por residências são produzidos no Brasil e obedecem a um sistema de preços diferente.
Essa diferença cria um distorção no mercado, pois consumidores comerciais, como restaurantes e padarias, por exemplo, vêm trocando os botijões grandes por botijões residenciais. Segundo as distribuidoras, a troca é irregular e compromete a segurança dos estabelecimentos, pois os equipamentos utilizados para grandes botijões não se adaptam aos botijões de 13 quilos.
A disparada do preço do GLP este ano refletiu-se em uma queda no consumo da ordem de 5,3%, depois de sucessivos anos com crescimento entre 3% e 4%, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). ''No consumo residencial, a queda é maior. Hoje um botijão fica 47 dias na casa do consumidor. Em 1996, cada botijão durava apenas 32 dias'', afirma o presidente da Federação Nacional dos Revendedores de GLP (Fergás), Álvaro Chagas.
De janeiro a outubro, o consumo de GLP ficou em 9,9 milhões de metros cúbicos, contra 10,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. A redução no consumo foi acentuada desde junho, quando os preços dispararam devido à alta do dólar.
Depois do aumento de 7,7% anunciado na sexta-feira, o botijão de gás deve chegar aos R$ 30, ou R$ 7 a mais do que o valor considerado justo pelo governo antes das eleições. Em agosto, quando custava cerca de R$ 26, a ANP determinou à Petrobras que reduzisse o preço do gás para que chegasse a R$ 23, mesmo nível de dezembro de 2001. Na época, o ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, usou os R$ 23 como referência para o consumidor. Logo após as eleições, a intervenção foi suspensa. ''Quer dizer que era caro e agora não é mais?'', questiona Chagas. Chegando aos R$ 30, o botijão de gás abocanhará 15% do salário mínimo, de R$ 200.

mockup