Preço do gás inviabiliza produção de pólo cerâmico
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento no preço do gás natural no último ano está inviabilizando a produção do pólo cerâmico de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Louça, José Canisso, as indústrias arcaram com um reajuste de 73,62% no preço do gás nos últimos 12 meses, e não fizeram o repasse de custos para o consumidor. Por causa disso algumas empresas estão substituindo o gás por métodos superados, como queima de lenha e betume.
De acordo com Canisso, o valor gasto com gás natural corresponde a 30% do preço final das louças. ''O gás natural era uma ótima alternativa, queimava muito bem e era possível manter pureza dentro da fábrica'', relatou. Para ele, os governos estadual e federal precisam forçar uma renegociação no valor do produto, que é cotado em dólar. O pólo cerâmico de Campo Largo é composto por 36 indústrias, produz 400 milhões de peças por ano e emprega 14 mil pessoas direta e indiretamente, segundo o sindicato.
As empresas que não descartaram os fornos à lenha estão recorrendo aos métodos antigos. Segundo Canisso, a queima de lenha consome 40 hectares por mês de madeira. ''É um reflorestamento nosso, mas poderíamos utilizar essa madeira para outros fins mais nobres'', relatou. Ele disse que o método também não polui o meio ambiente por causa de filtros especiais. ''O problema está nas fábricas que investiram e se automatizaram para trabalhar com o gás'', disse. Cada forno a gás custou R$ 1 milhão, segundo o sindicato.
O gás natural usado nos estados do Sul, São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul é importado da Bolívia pela Petrobras, que vende para as distribuidoras do Sul. Nas demais regiões, a estatal vende o gás nacional, que tem um preço bem inferior.


