Preço do gás de cozinha sobe até 10%
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segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Cláudia Lopes<br> De Londrina 
O preço do gás de cozinha (GLP) aumentou em média 10% em Curitiba e cerca de 5% em Londrina na última sexta-feira, superando a alta prevista pelo governo federal, que era de um repasse de 2,5% ao consumidor. Em Curitiba, o botijão subiu de R$ 18,50 para R$ 21 na Distribuidora Faraco; de R$ 19,00 para R$ 21 no Disk-Gás Orlando, e de R$ 18,95 para R$ 21 no Gás em Casa.
Os representantes de distribuidoras como Ultragás e Liquigás, em Curitiba, disseram ter repassado o aumento das companhias. ''Estou seguindo a tabela de aumento da distribuidora'', afirmou o dono da Faraco, Vitor Faraco, representante da Liquigás. O preço da venda direto ao consumidor da Ultragás em Araucária passou de R$ 19,95 para R$ 22,50 na última sexta-feira.
Em Londrina, o preço ao consumidor varia de R$ 21 a R$ 22. O proprietário da A.C Gás, franqueado regional da Shell Gás, Carlos Alberto Paralego, disse que muitos representantes não haviam repassado o aumento anterior, de três meses atrás, que foi de 5%. ''Agora estão reajustando os preços'', afirmou. ''Eu mesmo absorvi a alta passada'', afirmou. Segundo Paralego, as distribuidoras repassaram, aos representantes, índices de aumentos de 6,8% a 8%.
O botijão, que na sexta-feira custava R$ 20 na empresa, custa hoje R$ 21. Em janeiro, o produto era vendido por R$ 19 na A.C Gás. Há 1,5 ano, a empresa vende em média quatro mil botijões por mês. ''O consumo aumenta no inverno e cai no verão'', disse Paralego, que registrou uma queda de 16% no mês passado em relação a agosto. ''Mas é uma queda normal já que o clima de setembro é mais quente que o de agosto.''
O gás de cozinha tem peso médio de 1% no Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese). O ICV reflete a inflação das famílias cujas rendas variam de 1 a 30 salários mínimos. ''Esse é o peso na renda média. Mas quanto menor a renda familiar maior o impacto do preço do gás porque o produto é essencial'', disse o economista do Dieese em Curitiba, Sandro Silva. Segundo ele, a alta acumulada até setembro foi de 51,44%. ''Em Curitiba, o botijão era vendido por R$ 13,16 em janeiro e por R$ 19,93 no mês passado.''
O assessor do Sindigás no Rio de Janeiro, Roberto Macedo, disse que, com a crise energética, o setor esperava um aumento no consumo de gás. ''Mas isso não aconteceu. O consumo permaneceu estável nos últimos meses.''
A dona-de-casa Santina dos Santos consome dois botijões por mês em sua residência, apesar de ter jogo de cintura quando o assunto é economia. O feijão, a dobradinha e o mocotó, ela cozinha no fogão a lenha. Outra tática para economizar gás é cozinhar o feijão junto com beterraba ou o arroz com algum legume como a cenoura, por exemplo. ''Assim eu sempre economizo um bico do fogão'', afirmou.
No sábado passado, Santina pagou R$ 21,50 pelo botijão, que até sexta-feira custava R$ 20 num supermercado próximo a sua casa. ''Levei um susto e tive que ficar devendo o restante'', contou. Com a diferença, ela conseguiria comprar 1 litro de leite mais cinco pãezinhos. ''Para mim, é uma diferença grande'', reclamou Santina, cuja renda familiar é R$ 180.


