O preço do gás de cozinha, para o consumidor final, pode sofrer aumento nos próximos dias, em Londrina. O motivo são os sucessivos reajustes do produto praticados pelas distribuidoras da cidade. Alguns revendedores reclamam que em apenas 20 dias, o preço para o revendedor passou de R$ 21,00 para R$ 23,50, chegando a R$ 25,50 esta semana. Além disso, questionam o fato de nunca receberem uma notificação sobre os aumentos. Uma reunião esta semana entre os distribuidores de gás pode ter acertado o próximo reajuste.
Uma fonte da Folha, que pediu para não ser identificada, garantiu que na quarta-feira à tarde, aconteceu uma reunião entre diretores, gerentes e supervisores de distribuidoras de gás, no Pool de Combustíveis, Jardim Maria Lúcia, zona oeste de Londrina. ''Havia 26 pessoas na reunião, entre eles diretores que vieram de Araucária'', afirmou. Ele ainda lembrou que no início de março o botijão de gás custava para o revendedor R$ 19,00 e ontem estava sendo comercializado pelas distribuidoras por R$ 25,00.
Contatado pela reportagem, o gerente da Ultragás, que se identificou apenas como Nelson, negou que tenha havido a reunião e desconversou quando foi questionado sobre o aumento do produto. Nas outras distribuidoras, os gerentes não foram encontrados para falar sobre o assunto.
Segundo o comerciante Lourival Marques Modesto, o botijão de gás aumentou de preço várias vezes nas últimas semanas. ''Ainda não repassamos o aumento para o consumidor'', disse. Ele revelou que ontem um outro revendedor foi buscar o produto em uma distribuidora e ficou bastante surpreso, pois estavam tentando impor o valor de R$ 25,50. ''Nosso lucro vem diminuindo, pois estamos trabalhando com uma margem muito pequena'', lamentou Lourival. ''Antes eles diziam que era por causa do dólar, mas e agora que o valor da moeda está caindo, qual é a desculpa para os aumentos?'', questionou.
Os comerciantes se sentem prejudicados. ''O produto aumenta pra nós, mas não repassamos ao consumidor porque o preço vai ficar muito alto'', comentou Américo Vieira. Ele cuida da revenda do filho e confirmou que no último mês o produto passou de R$ 21,00 para R$ 24,50.
Para a dona de casa Maria Rita da Silva Barros, o preço do botijão já está muito alto e se aumentar mais, vai fazer muita diferença no orçamento. ''Minha família é grande e uso mais que um botijão por mês'', disse. A artesã Aparecida Fernandes de Sá também comentou que a situação vai ficar difícil se houver reajuste. ''Isso é um absurdo, não tem necessidade nenhuma de aumentar o preço'', reclamou. Ela pagou, há um mês, R$ 30,00 pelo botijão.
A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou que o mercado do gás está com o preço liberado e cada setor tem sua política de preço, ou seja, vale a lei do livre mercado. A ANP apenas monitora o mercado semanalmente, através de pesquisa e intervém em caso de infração da ordem econômica (formação de cartel). Os consumidores e revendedores que se sentirem lesados, devem procurar os órgãos competentes, como o Procom ou o Ministério da Justiça, através do Conselho Admnistrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Secretaria de Direitos Econômicos.

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