A intensificação do período de safra da soja elevou o preço do frete rodoviário, animando transportadores e caminhoneiros autônomos. Mas não o suficiente a ponto de provocar euforias no setor como em anos anteriores, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar), Rui Chichella. Os transportadores se queixam da alta dos insumos e do aumento da concorrência que têm evitado a elevação no preço do frete, acima da variação dos custos.
De acordo com o presidente do Setcepar, este ano, o frete subiu 16,5% neste período de safra. O transporte de soja de Foz do Iguaçu a Paranaguá está sendo contratado por R$ 33,00 a tonelada. Em compensação a alta dos insumos foi de 13,5%. Chichela apontou a alta no preço do óleo, dos pneus e do próprio caminhão. A esperança das transportadoras é que o preço do frete aumente um pouco mais a partir de abril, período de pico de safra. A preocupação é o excesso de caminhões que circulam no Estado neste período. ‘‘São aproximadamente 15 mil caminhões a mais que chegam ao Estado nesse período, contribuindo para achatar o preço dos fretes’’, disse.
Para os caminhoneiros autônomos, a situação é semelhante. Eles estão preocupados com o aumento da concorrência no número de caminhões e com a alta no preço dos insumos, que está acabando com a rentabilidade do setor. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros, Dilmar Cunha Bueno, disse que o frete praticamente dobrou no período de safra. Ocorre que os valores estavam tão baixos antes, que não estavam cobrindo a alta dos insumos. Os caminhoneiros autônomos se queixam que as empresas que estão contratando os serviços para o transporte da safra não estão pagando a variação no preço do óleo diesel. ‘‘Como a oferta de serviço está escassa, o lema das empresas é carrega quem quer’’, disse.
Bueno calcula que pelo menos 50 milhões estão circulando no Paraná neste período de safra. A consequência desse elevado número de veículos é o aumento da ociosidade. Se um caminhão fazia duas viagens por semana, agora mesmo com a safra está fazendo uma viagem e fica entre dois a três dias ocioso. ‘‘ O problema é que a oferta de transporte de cargas está muito baixo, refletindo a recessão do país, e os caminhoneiros de outros setores estão se voltando para transportar a soja’’, explicou.
Segundo a tabela da Central de Fretes de Curitiba, o transporte de soja da região Oeste do Paraná, entre Marechal Cândido Rondon e Medianeira até Paranaguá está variando de R$ 30,00 a R$ 34,00 a tonelada. De Maringá a Paranaguá, está variando de R$ 25,00 a R$ 27,00 a tonelada. O transporte de soja da região de Rondonópolis, no Mato Grosso, a Paranaguá está cotado entre R$ 60,00 a R$ 65,00 a tonelada.

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