Guto Rocha
As cotações do frango vivo apresentaram alta de 7,8% nos últimos 30 dias no Paraná. E a expectativa do mercado é de novas altas. Segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Guilherme Oscar Richter, o preço médio do quilo da ave para abate passou de R$ 0,62 para R$ 0,69 no período. O preço máximo pago pelo quilo do frango vivo no
Estado atingiu R$ 0,85 na região de Apucarana. No atacado, a ave abatida e resfriada registrou cotação máxima de R$ 1,20.
Richter afirma que a alta se deve, entre outros fatores, à diminuição das ofertas de frango para abate. O técnico observa que no segundo semestre do ano passado o setor apostava em um aquecimento do mercado que acabou não se concretizando. ‘‘Com a crise do Sudeste Asiático houve diminuição das exportações brasileiras para aquela região, e para não haver mais sobras, os produtores diminuíram o alojamento de aves’’, explica.
Outro fator que provocou o aumento dos preços foi a volta às aulas que contribuiu para o aquecimento do consumo. ‘‘É que durante as férias o consumo migra para outras carnes, principalmente o peixe, e com as aulas há uma normalização do consumo’’, comenta.
O secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco), José Carlos Godoy, o alojamento de pintos de um dia diminui sensivelmente no último bimestre de 1997. ‘‘Novembro e dezembro registraram os menores alojamentos do segundo semestre do ano passado’’, afirma. Em dezembro, foram alojados, no País, 241 milhões de pintos de um dia, contra os 260,4 milhões alojados em outubro. Ele também atribui a estratégia dos produtores à quebra das bolsas do Sudeste Asiático.
Outro fator que provocou queda no alojamento de pintos foi o forte calor registrado nos últimos meses. Segundo Godoy, além do aumento da mortalidade de matrizes, as altas temperaturas reduzem a atividade sexual das aves diminuindo a fertilização dos ovos.
Com isso, Godoy afirma que o mercado deve se manter sustentado e até registrar novas altas pelo menos até abril. ‘‘Com certeza não haverá aumento de produção de pintos até abril’’, comenta. Segundo Godoy, levantamento preliminar realizado pela Apinco aponta para janeiro uma produção de 225 milhões de pintos, contra os 226,3 milhões produzidos no mesmo mês do ano passado. ‘‘Como fevereiro tem apenas 28 dias, a produção pode ser ainda menor’’, observa.

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