Guto Rocha
De Londrina
A escalada dos preços do frango nas últimas três semanas deve continuar nos próximos dias. Em um mês, o quilo da ave abatida e resfriada no atacado passou de R$ 1,10 no início outubro para R$ 1,35 ontem. Uma alta de 22,77% no período. Segundo o presidente da Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Ferreira Muniz, o quilo do frango abatido e resfriado no atacado deve chegar a R$ 1,45 já na próxima semana. No varejo deve ficar em R$ 1,65/kg. Muniz afirmou que estas altas refletem as elevações dos principais insumos utilizados na produção da ave. ‘‘O setor não tem condições de segurar o repasse das altas aos consumidores sob o risco de a atividade desaparecer’’, afirmou.
O médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura, Athaide Rodrigues de Miranda afirmou que o realmente o setor vem enfrentando alta nos seus custos de produção. Segundo ele, em poucos mais de 30 dias, o milho, que representa 60% da composição da ração das aves, registrou uma alta de 23%. O técnico do Deral observou que outro fator que provocou a elevação dos custos de produção foram as elevações dos preços do insumos químicos (micro-elementos e aminoácidos) que são importados e cotados em dólar.
Além das altas dos insumos, os preços do frango refletem, segundo Miranda, as elevações dos preços da carne bovina. ‘‘Com a alta do boi, os consumidores migram para o frango, e como a oferta é menor e a demanda aquecida, os preços sobem’’, afirmou.
Muniz observou que a carne de frango sempre teve como parâmetro para a formação de seu mercado os preços da costela bovina, que apresenta um aproveitamento de 45% de carne, enquanto o frango, tem um aproveitamento de 54%. No entanto, observou Muniz, o preço da costela bovina ao consumidor está custando R$ 2,35/kg.
Mas segundo o presidente da Avipar os custos de produção da ave, incluindo impostos e custos de transporte, variam entre R$ 1,39 e R$ 1,41. ‘‘Mesmo com as altas, os preços atuais não cobrem nosso custos’’, afirmou.
Muniz disse que outro problema que pode agravar a situação dos produtores de aves e também de suínos, é a falta de estoques público de milho. ‘‘A situação já é preocupante para os pequenos criadores que não têm condições de bancar as altas que o grão registra’’, afirmou. A Folha tentou ouvir ontem o coordenador do Grupo Executivo Interministerial de Abastecimento (GEA), Vilmondes Olegário sobre a realização de leilões e deslocamento de estoques públicos de outros estados para o Paraná, mas não obteve respostas até o fechamento da edição.

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