Preço do frango está abaixo de R$ 1
No início da próxima semana, todos os grandes supermercados de Curitiba estarão ofertando frango a menos de R$ 1,00 o quilo, abaixo do custo de produção. Se por um lado a notícia é boa para o consumidor, por outro, é nefasta porque o consumidor vai pagar a conta na frente. A falta de equilíbrio no preço do frango está ocorrendo porque o governo do Estado não concordou em reduzir o ICMS do frango e as empresas menores não conseguem vender a produção para São Paulo porque perderam competitividade.
Com isso, cerca de 80% da produção que era enviada para São Paulo está ficando por aqui para ser distribuida no mercado varejista do Estado, que tem uma capacidade de consumo limitada. Ocorre que essa solução é imediatista e as consequências não serão boas nem para consumidores e nem para o setor produtivo, lamentou Paulo Muniz, presidente da Associação dos Abatedouros e Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Avipar). Ele disse que entre 30 a 50 dias, o consumidor vai pagar bem mais pelo frango. Pressionados pelos prejuízos na venda do frango, os abatedouros já determinaram aos produtores a redução do alojamento de pintainhos que já começou a ocorrer nas granjas do Estado.
O agravante da situação é que pequenos e médias empresas abatedoras de aves ficarão alijadas do mercado. Após escoar o estoque excedente com prejuízo dificilmente terão condições de competir com os grandes abatedouros que poderão estar até mais fortes porque não entram nesse jogo suicida de reduzir o preço do frango abaixo do custo de produção, previu Muniz. Segundo a Avipar, das 50 empresas que abatem frango no Paraná, pelo menos 30 são pequenos abatedouros que estão se descapitalizando, com a impossibilidade de enviar a produção para o estado de São Paulo, como faziam antes.
A crise na produção de frangos do Paraná começou quando São Paulo decidiu elevar de 5% para 7% a redução no crédito presumido, colocando-se em situação vantajosa em relação a outros estados produtores. Para eliminar essa diferença, as empresas do Paraná reivindicaram o mesmo diferimento por parte da Secretaria da Fazenda, que alega dificuldade em abrir mão da arrecadação. O secretário Giovani Gionédis disse que o estado concorda com redução de ICMS, desde que a medida seja adotada dentro do Confaz, que seja comum a todos os estados.
O presidente da Avipar contesta essa posição, argumentando que a renúncia fiscal do estado não seria tão alta e beneficiaria um setor que aumenta o valor agregado do milho, onde o Paraná se destaca como maior produtor do país, em até sete vezes. Muniz revelou que o setor recolhe R$ 142 milhões em ICMS por ano, e a redução do crédito presumido por 90 dias, como está sendo reivindicado iria representar uma renúncia de R$ 10,5 milhões.
O empresário concorda que muitos setores estão pedindo redução do imposto, mas adverte que se nada for feito para a avicultura, a produção de milho do Paraná servirá para criar frango em outros estados. O comportamento da Secretaria da Fazenda contraria o governador Jaime Lerner que insiste em dizer que a produção primária tem que ser transformada aqui mesmo, lembrou. Enquanto os abatedouros de outros estados ganham facilidades para crescer, é inevitável a extinção dos pequenos abatedouros paranaenses e o milho produzido aqui terá que ser escoado in natura, alertou.
O Paraná produz anualmente 420 milhões de cabeças de aves e 10% desse total era enviado para São Paulo, 5% para outros estados e 25% para exportação. Segundo dados da Avipar, das 7 milhões de toneladas de milho produzidas anualmente pelo Paraná, o setor animal consome 4 milhões de toneladas, sendo que somente a avicultura consome 50% desse volume, que corresponde a 2 milhões de toneladas. Portanto trata-se de um setor que transforma a produção primária e tem condições de crescer ainda mais.Arquivo FolhaTodos perdemPressionados pelos prejuízos, abatedoutos determinaram redução de alojamento para pintainhos. Abaixo, Paulo Muniz, da Avipar: consequências não serão boas nem para consumidor, nem para produtoresVânia Casado





