ArquivoDifícil competirCortes de frango ou miúdos de frango. Preços quase imbatíveis. Porco perde espaço e resolve fazer marketingAs vendas de carne suína para festas de final de ano estão abaixo do volume negociado em anos anteriores. Segundo o presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Romeu Carlos Royer, o alto preço da carne suína praticado no varejo tem afastado os consumidores. ‘‘O produtor de suínos tem enfrentado grande concorrência com a carne de frango, que tem preço bastante baixo’’, comenta.
Royer afirma que o mercado varejista está cobrando dos consumidores um preço que não condiz com o preço pago ao suinocultor pelo animal vivo. O presidente da APS diz que no Paraná, o quilo do animal para abate tem cotação média de R$ 0,90. ‘‘Com este preço o varejista poderia vender o quilo da carne de suíno entre R$ 2,20 e R$ 2,50’’, comenta. Segundo o presidente da APS, o quilo do pernil é comercializado no varejo a R$ 4,00/kg e o lombo varia entre R$ 6,00 e R$ 8,00/kg.
O presidente da Associação Londrinense das Empresas Supermercadistas, Otto Keller, afirma que a diferença de preço sempre existiu porque o suíno apresenta uma quebra depois que é abatido. Keller confirma o desinteresse por parte do consumidor. ‘‘No ano passado nesta mesma época já tinha gente fazendo encomendas de leitão, e este ano ainda não temos nenhuma encomenda’’, comenta.
O responsável pelo Departamento de Compras do supermercado Santarém, em Londrina, Nelson Tosti, afirma que os abatedouros estão vendendo o suíno abatido e resfriado a R$ 1,65/kg. ‘‘Com este preço é possível vender o quilo do pernil entre R$ 2,80 e R$ 2,90/kg e ter margem de lucro’’, afirma.
Marketing O presidente da APS afirma que associações de produtores, sindicatos e entidades que representam o setor em cinco Estados brasileiros criaram um fundo que vai arrecadar recursos que serão aplicados no marketing da carne suína no País. Segundo Royer, a partir de 2 de janeiro, os produtores vão recolher R$ 0,10 para cada animal comercializado para abate. A previsão é de que em um ano o fundo recolha R$ 1,5 milhão. ‘‘Deste total, 30% serão administrados pelas associações de cada Estado, e os 70% restantes serão aplicados em campanhas em nível nacional’’, afirma.
Royer diz que o setor quer estimular o consumo de carne suína e conseguir mais espaço no mercado interno e externo. Ele afirmou que o consumo de carne suína no Brasil cresceu este ano passando de 9 kg/per capita/ano em 1996 para 9,5 kg/ per capita. ‘‘Queremos atingir 11 kg/per capita/ano em 1998’’, afirma.

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