Preço do frango cai 40% em 10 dias
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quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Guto Rocha 
O preço médio pago pelo frango vivo no Paraná já acumula queda de 40% no período de 10 dias, caindo dos R$ 0,70 para R$ 0,40/kg. Segundo o consultor econômico do Sindicarne-PR , Gustavo Fanaya, a queda no preço do milho, o grande volume de oferta e o baixo consumo contribuíram para provocar a queda nas cotações. E os preços podem cair mais, para hoje, a previsão do mercado é de que o quilo do frango vivo atinja o R$ 0,35. O consumo é o mais baixo desde a implantação do Plano Real, afirma Fanaya, estimando que a redução do consumo de carne de frango chegue aos 30%.
O economista afirma que a superoferta de frango para abate foi provocada pela falta de planejamento dos produtores independentes. Segundo ele, em novembro a oferta de pintos de um dia foi grande e os preços da ave caiu de R$ 0,17 a unidade para R$ 0,07. Muitos granjeiros independentes aproveitaram os baixos preços da ave e do milho para encher barracões ociosos, comenta. Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), em novembro foram produzidos 216,4 milhões de pintinhos, crescimento de 1,88% em relação ao mesmo período de 1995.
Preço deve cair
mais, chegando
a 35 centavos
na granja
Fanaya diz que os mais prejudicados são as empresas que trabalham com integrações. Ele explica que estas empresas trabalham com custo de produção entre R$ 0,55 e R$ 0,60/kg. Segundo ele, as empresas trabalham com grandes estoques de milho, que foram comprados antes das quedas do grão. O produtor integrado tem a garantia de receber este valor, mas a empresa terá de concorrer com os preços menores da produção independente, diz. No Paraná, os granjeiros independentes representam apenas 5% da produção de frangos, mas em São Paulo eles são maioria. O mercado paulista que baliza os negócios do frango, observa.
O técnico do Sindicarne-PR afirma a queda dos preços ainda não foram repassados para a ponta consumidora. Os supermercados estão estocados, e podem ser obrigados a baixar seus preços, diz. Segundo Fanaya, os consumidores poderão pagar pelo quilo do frango resfriado R$ 0,80, o mesmo valor pago no primeiro mês de Real. Este mercado só deve se normalizar em dois meses, prevê.
Quanto ao baixo consumo, Fanaya observa que houve uma migração da carne de frango para a de boi. Normalmente nesta época do ano, os consumidores comem menos carne bovina por causa do calor e as cotações do boi gordo caem, também por causa das boas condições do pasto, e isso não aconteceu, comenta. A arroba do boi gordo está estável em R$ 22,50 no Paraná, e em São Paulo registrou altas, e é cotada a R$ 23,50/R$ 24,00.


