As cotações do feijão carioca na Bolsa de Cereais de São Paulo, termômetro do mercado deste produto, atingiram ontem R$ 95,00/saca de 60 kg. Em dez dias, os preços sofreram uma alta de 48,4%. No dia 14 de agosto, o mesmo produto foi cotado a R$ 64,00. Segundo o operador de mercado da Corretora Malucelli, de Curitiba, Cícero Malucelli, a alta foi provocada pela escassez de ofertas do produto. ‘‘O fim da safra de Pernambuco, Alagoas e Bahia, que está no final, faz com que os compradores do Nordeste se voltem para o Sul, provocando a alta’’, comentou.
Malucelli disse que já na semana passada o mercado trabalhava com rumores de que os preços dos feijão pudessem atingir os R$ 100,00/saca. ‘‘A expectativa inicial era de que os preços só atingissem estes níveis de preços em outubro’’, comentou.
A alta do feijão acabou travando os negócios no mercado. Malucelli disse que os atacadistas deixam de comprar o produto por causa da dificuldade em repassar os preços para os consumidores. ‘‘Num quadro de deflação como o que vivemos, os consumidores não aceitam alta dos preços’’, comentou.
Apesar da ausência dos atacadistas, o mercado deve permanecer firme. Malucelli afirmou que agora o mercado se abastece basicamente com o feijão colhido em Unaí (MG), Barreiras (BA) e das lavouras irrigadas de Goiás. No Paraná, disse o corretor, as ofertas são pequenas e restritas à região Norte. ‘‘Como a colheita nestas regiões que abastecem o mercado está no fim, os preços devem ficar firmes até o final de novembro, quando começa a entrar o forte da safra do Paraná e de Santa Catarina’’, disse.
Até lá, os preços devem ficar subindo e descendo dentro destes patamares. ‘‘Muitos supermercados estocaram se preparando para a falta do produto, mas quando os estoques acabarem eles voltam para o mercado, dando margem para altas’’, comentou. O corretor observou ainda que muitos cerealistas que compraram feijão na semana passada pagando até R$ 70,00 vieram para o mercado ontem oferecendo o mesmo produto por R$ 90,00.
O corretor disse que as importações do produto para garantir o abastecimento são inviáveis neste momento. ‘‘Se importarmos feijão dos Estados Unidos, o produto levará, no mínimo, dois meses para chegar ao Brasil, e isso seria um mau negócio, uma vez que daqui a dois meses já teremos feijão do Paraná e Santa Catarina’’, comentou.
Já o mercado de feijão preto se abastece basicamente com produto importado da Argentina, segundo Malucelli. ‘‘Cerca de 95% do feijão preto hoje vem da Argentina’’, comentou. O corretor disse que o produto é cotado a US$ 750,00 por tonelada. ‘‘Mas o mercado do feijão preto está muito calmo, com retração no consumo’’, comentou.

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