Preço do feijão sobe 30% em 15 dias
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
Nos últimos 15 dias o mercado de feijão carioca sofreu uma reviravolta e o preço pago ao produtor praticamente dobrou em algumas regiões. No atacado a cotação do produto acumula uma alta de 30%. Até o mês de dezembro havia localidades no Paraná onde o produtor estava recebendo R$ 15,00 a saca, bem abaixo do preço mínimo do produto. Porém, ontem o menor preço pago ao produtor era R$ 28,00 a saca. Em Curitiba, o feijão de cor estava sendo vendido entre R$ 38,00 a R$ 40,00 a saca, informou o corretor Marcelo Eduardo Luders, da Correpar. Segundo o acompanhamento do Deral, o feijão de cor teve uma alta de 6% nos últimos dois dias.
A reviravolta do mercado preocupa o governo. O superintendente da Conab, Eugênio Stefanello, promete evitar uma explosão de preço do feijão ao consumidor e anunciou que pretende forçar a liberação dos estoques em poder da Conab. Segundo ele, da mesma forma que o órgão interferiu no mercado para proteger o produtor, anunciando a compra de 26.000 toneladas, vai atuar em sentido contrário, caso os preços não sejam compatíveis com a normalidade, que na sua avaliação deve ficar um pouco acima do preço mínimo, fixado em R$ 26,00 a saca.
Stefanello fez uma séria advertência aos setores que pretendem especular com o produto, salientando que a Conab-PR tem um estoque de 16.000 t de feijão de cor em AGF e 1.000 t em EGF. Ele diz ter recebido informações de que três cooperativas do Sudoeste que estavam prontas a vender cerca de 180.000 sacas de feijão carioca para a Conab pelo preço mínimo suspenderam a operação e estão retendo o produto à espera de uma reação ainda maior do mercado. Para conter as especulações ele não descartou a importação do produto do Chile, Argentina e Paraguai.
Na avaliação de Stefanello, a elevação no preço do feijão carioca é passageira e ele não acredita numa explosão no preço do produto. Isso porque atualmente quase todos os estados do Brasil produzem três safras de feijão por ano e em pouco tempo estará entrando no mercado a segunda safra feijão. Ele recomenda a desova dos estoques para aproveitar os preços.
O corretor Marcelo Luders, da Correpar discorda. Segundo ele, os preços do feijão deverão permanecer altos pelo menos pelos próximos 45 dias até a entrada da segunda safra do Centro-Oeste e de Irecê, Bahia. Ocorre que a produção essas regiões também foi afetada e a oferta reduzida. Segundo o corretor, a expectativa é de alta, porque agora que o mercado tomou consciência de que a oferta está reduzida.
Isso porque quando foi anunciada a quebra de safra do Paraná, em novembro, o mercado paulista, maior comprador de feijão carioca, ainda estava superabastecido. Agora essa oferta se esgotou e o mercado se deu conta que o mesmo efeito el ninho que provocou as chuvas no Sul também provocou a seca no Centro-Oeste e da Bahia.
Luders acredita que ainda tem espaço para a reação no preço do feijão carioca, lembrando que o limite pode ser a cotação do feijão preto que hoje está avaliado em R$ 65,00 a saca no Rio de Janeiro e R$ 56,00 a saca no interior do Paraná. Quanto à possibilidade de o governo importar feijão para conter a tendência de alta do mercado, o corretor não acredita na viabilidade da operação. Segundo ele, o feijão é uma commoditie em escassez e por isso valorizada no mercado internacional. Ele explicou que o México, um país consumidor e produtor teve sua produção reduzida e anunciou que pretende importar 300.000 t, sufiente para provocar alta de preços.


