Os preços do feijão no Paraná recuaram entre 9,7% e 11,7% nos últimos 15 dias, mas ainda assim estão acima da média histórica para o período. Segundo a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Margoreth Demarchi, a queda foi provocada pelo aumento da oferta do produto e a redução do consumo. ‘‘Os preços altos do feijão fazem com que os consumidores migrem para outros produtos, principalmente o frango’’, comenta a técnica. O feijão carioca no varejo, segundo a técnica, chegou a ser vendido entre R$ 2,80 e R$ 3,00/quilo.
Ontem, segundo a técnica do Deral, a cotação média no Paraná no atacado da saca de 60 kg de feijão carioca ficou em R$ 63,31, contra os R$ 74,51/saca praticados no dia 9 de junho. Uma redução de 9,7% no período. Já o feijão preto, no mesmo período, caiu de R$ 64,44 para R$ 56,89/saca, recuando 11,7%.
Margoreth afirma que mesmo com os problemas com chuva durante o mês de março no Paraná, os produtores paranaenses obtiveram boa produtividade e colheram produto de qualidade na segunda safra. Segundo o Deral, a área plantada na segunda safra atingiu 95,6 mil hectares, o que representa um crescimento de 46% em relação aos 65,4 mil ha cultivados no ano passado. A produção na atual safra, que já tem 95% colhido, deve atingir 108 mil toneladas, sendo 25 mil toneladas de feijão preto.
Segundo a técnica, a comercialização da safra paranaense foi bastante rápida devido à diminuição da oferta provocada pela quebra da safra nordestina. ‘‘Como houve falta de feijão, os produtores conseguiram escoar inclusive o produto de qualidade inferior sem dificuldades, misturando ao feijão de melhor qualidade’’, comenta.
A técnica observa que, mesmo registrando queda, os preços ainda estão acima da média histórica, que varia entre US$ 38,00 e US$ 40,00/saca. Margoreth observa que os preços vêm se mantendo altos há dois meses. ‘‘Lentamente os preços vão cedendo, mas a previsão do mercado é de que até novembro, quando começa a entrar a safra das águas, a saca do carioca esteja em R$ 50,00’’, comenta.
Margoreth diz que a terceira safra no Paraná este ano deverá ser menor, devendo passar dos 28,3 mil ha cultivados em 1997 para 23 mil ha na atual temporada. A técnica observa que esta safra, conhecida como ‘‘safra de inverno’’, é de risco, e por isso os produtores investem pouco em tecnologia. ‘‘Esta safra é inexpressiva, e sua produção é suficiente para um mês de consumo do Paranᒒ, comenta.

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