O mercado de feijão encerrou o mês de agosto com pequena alta. Os preços médios do carioca, praticados na última semana do mês, foram 3,8% superiores aos do mesmo período de julho. O feijão preto registrou alta maior: 7,3%. As informações são do engenheiro agrônomo Richardson de Souza, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). No Estado, o preço médio do carioca é R$ 55,64 por saca e o preto, R$ 59,12 por saca.
Como o estoque nacional está baixo e a nova safra será colhida apenas a partir de novembro, o mercado trabalha com pouca oferta. Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, em Curitiba, explicou que os produtores que ainda possuem feijão aramazenado estão segurando as vendas à espera do desenvolvimento das lavouras.
A tendência, segundo ele, é de lenta evolução dos preços até a entrada da nova safra. Um dos fatores que indica alta é a diminuição na área ocupada pela cultura.''Como os preços praticados são os mesmos de um ano atrás e os custos subiram, deve haver redução de área entre 15% e 20%'', comentou. No último levantamento de safra, o Deral estimou que, no Paraná, a área da safra de águas será 4,83% menor.
Outro motivo é o clima desfavorável para as lavouras que começam a ser plantadas. A estiagem, conforme explicou o corretor, está atrasando o plantio, o que significa que a colheita poderá ser tardia. Além disso, o frio dos últimos dias danificou algumas áreas já cultivadas.
O preço só não está melhor por causa do menor poder aquisitivo da população e consequente redução no consumo. A comercialização, no atacado, diminuiu 15% no último ano. No varejo, informou Luders, a queda foi na mesma proporção. ''Se o povo não está comendo arroz e feijão, está se alimentando com o quê?'', questionou.
Ele recomenda que o produtor plante mais feijão nessa safra. ''A expectativa é de aquecimento na economia e consequente aumento de consumo dos produtos da cesta básica'', opinou.
O agricultor Neudi Mosconi, de Cascavel, aposta na melhoria dos preços e vai aumentar a área de feijão em 60% na safra de águas. ''Vou arriscar. Se eu conseguir plantar o feijão mais cedo, garanto boa rentabilidade e ainda planto milho, na mesma área, para colher em abril ou maio'', revelou.
Ele ainda não começou a semear a safra por causa do clima. ''Geou e não há previsão de chuva'', disse. O prazo para o plantio de feijão, na região de Cascavel, termina no final do mês.
O custo de produção de Mosconi é de R$ 1,2 mil por hectare (ha). Com produtividade estimada em 35 a 40 sacas por ha, ele pretende garantir uma renda de 30% a 35% sobre o valor investido. ''Não vai dar prejuízo.''

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