Preço do feijão é o pior dos últimos 12 meses
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O produtor de feijão paranaense está com o sinal vermelho ligado. Com a colheita da segunda safra chegando ao fim, a comercialização continua a passos lentos e os preços bem abaixo do custo de produção - os piores do últimos 12 meses - trazendo elevados prejuízos a quem apostou na cultura. A situação é tão ruim que a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) pede recursos urgentes ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para tentar atenuar o cenário.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná (Seab), até agora foram colhidas 80% da produção e apenas 35% comercializadas. O montante total é de 454,9 mil toneladas, alta de 34% em comparativo a segunda safra de 2012/13. A produtividade também sofreu incremento, de 1,33 mil kg por hectare para 1,75 kg por hectare. A elevada produção justifica a forte queda nos preços.
Analisando mês a mês, os preços de comercialização entre maio de 2013 e maio de 2014, percebe-se que o quadro é muito ruim. Em junho do ano passado, por exemplo, a saca de 60 kg de feijão de cor (carioca) era comercializada a R$ 159,28, contra R$ 60,92 no fechamento de ontem, uma queda gigantesca de 61,75%. A situação do feijão preto também é alarmante, com a saca caindo de R$ 143,33 para R$ 96,50 no mesmo período, ou seja, retração de 32,6%.
Portanto, o preço médio atual recebido pelo produtor paranaense é 37% inferior ao preço mínimo estipulado de R$ 95 para o feijão carioca e 43% inferior ao custo de produção de R$ 104,77 por saca calculado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).
Produtor de feijão em Tamarana, Sérgio Kumura passa por grandes dificuldades nesta safra. Ele plantou 100 hectares de feijão carioca e teve problemas com praga da mosca branca e doença antracnose, fechando com produtividade de 15 sacas por hectare, quando o esperado era de 35 sacas por hectare. "Além de minha produção não ter fechado com um padrão de qualidade interessante, o mercado está parado. Agora estou aguardando o leilão do Governo sair para ver se consigo comercializar, caso contrário não sei o que vou fazer com esse produto", relata ele.
Em relação ao preço de venda, Kumura acredita que conseguirá valores de R$ 40 a R$ 45. Só como análise comparativa, na safra de dezembro do ano passado ele fechou as vendas entre R$ 95 e R$ 100 e custo de produção de R$ 1,7 mil por hectare.
Para a safra das águas, com início do plantio entre setembro e outubro, o produtor comenta que não vai apostar novamente na cultura. "Geralmente planto duas safras de feijão por ano, mas está muito oscilante ultimamente. Vou dedicar essa área de 100 hectares para o plantio da soja, que é muito mais seguro e está com rentabilidade garantida recentemente", completa.
Recursos atrasados
O governo anunciou a disponibilização de R$ 20 milhões em recursos para Aquisições do Governo Federal (AGF), dos quais R$ 2 milhões, ou apenas 10%, foram programados para o Paraná, maior produtor nacional de feijão, que deve responder na safra 2013/14 por 23% do abastecimento nacional. Apesar do esforço dos produtores para participarem da limitada quantidade a ser apoiada no Estado, as informações são de que os recursos ainda não foram liberados e de que não há previsão de apoio a comercialização para os meses seguintes.



