O feijão subiu mais de 30% no varejo nos últimos seis meses. Em supermercados de Londrina pesquisados pela Folha, o quilo do produto chega a ser vendido por R$ 3,85. Em novembro passado, o valor máximo era R$ 2,98. Ontem, no Mercado Municipal do Shangri-la (área central), o valor era ainda mais assustador: R$ 5,50.
Mesmo com a entrada da safra de seca, cuja colheita já atinge 37% das áreas paranaenses, não há perspectiva de baixa. O motivo, segundo Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias em Curitiba, é que a demanda continua ajustada à oferta. ''Para o preço cair, a oferta teria que superar a demanda'', disse, acrescentando que, nos estados produtores, existe possibilidade de baixa não significativa nos próximos 25 dias.
Ele aposta em diminuição efetiva de preço apenas na próxima safra de águas, que começa no final do ano. A cotação da saca, hoje, é 56% maior que os valores praticados há seis meses, antes do início da primeira safra. Usando o mercado de São Paulo como referência, o analista informou que a mercadoria custava R$ 80,00 em outubro passado e ontem era vendida a R$ 125,00. ''O preço já chegou a R$ 140,00'', comentou. O produtor paranaense está recebendo R$ 90,00 pelo produto.
A carestia é reflexo de uma safra de águas menor que a esperada. Segundo Luders, o mercado trabalha com uma estimativa de 40% de quebra na safra nacional. ''Mas o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) não admite'', criticou. Na região Sul do País, revelou, foram produzidas 420 mil toneladas de feijão ante a estimativa de obter 700 mil toneladas.
No Paraná, maior produtor brasileiro, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) informou que o prejuízo foi de apenas 7%. De acordo com o órgão, foram produzidas 497 mil toneladas. Produtores ouvidos pela reportagem, porém, confirmam que enfrentaram quebra de até 50%. A causa foram as condições climáticas adversas que prejudicaram as lavouras em diferentes fases do desenvolvimento.
A área plantada com feijão da seca no Estado é de 129 mil hectares (ha), valor que supera em 12% a área do ano anterior. A previsão do Deral é que a produção atinja 187 mil toneladas. Pesquisa do órgão revela, ainda, que 26% da safra já foram comercializados.

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