Preço do feijão dispara no atacado
Vânia Casado
De Curitiba
Com a entrada do período de entressafra na região Sul, o preço do feijão carioca disparou no atacado. A alta deve ser repassada ao varejo nos próximos dias. Os produtores de Goiás e da Bahia manipularam o mercado, retendo seus produtos e a consequência foi uma alta superior a 100% só este mês. Conforme a Correpar - Corretora do Paraná, no dia 3 de agosto o feijão carioca extra foi comercializado a R$ 32,00 a saca na Bolsa de Cereais em São Paulo (Bolsinha). E ontem, o mesmo produto foi vendido a R$ 70,00 a saca, uma alta de 118,75%.
Outros fatores estão influenciando no aumento do preço do feijão, disse Marcelo Luders, diretor da Correpar. Entre eles, a redução da safra paulista em função do excesso de chuvas. Também houve uma quebra de 50% na safra de feijão da Banhia e Nordeste pelo mesmo motivo, excesso de chuvas. Em decorrência disso, o feijão colhido em Rondônia que normalmente abastece a região Sul nessa época não veio. Foi todo comercializado para as regiões Norte e Nordeste.
Cientes de todo esse quadro, os produtores mais tecnificados de Goiás e Bahia, que plantam com irrigação, acharam que o feijão estava sendo vendido abaixo do custo de produção deles e decidiram segurar a produção. De acordo com avaliação do engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura, Gilberto Matias Mello, os produtores goianos formaram um pequeno cartel para elevar os preços do feijão no mercado. Atrás deles, os atacadistas paranaenses fizeram a mesma coisa e o produto sumiu do mercado.
O corretor Marcelo Luders acredita que o período mais crítico da falta de oferta de feijão no mercado ainda está por vir. Segundo ele, vai ser difícil suprir o mercado durante os meses de outubro, novembro e dezembro, período que será necessário importar o produto. Ocorre que a Argentina, tradicional exportador de feijão para o Brasil não tem mais produto e talvez o País faça importações da Bolívia.
A escassez de feijão no mercado é decorrência da falta de política do governo, que suspendeu as operações de EGF (Empréstimos do Governo Federal). Com recursos de EGF, os produtores conseguiriam manter a produção em armazéns no primeiro semestre, o preço não cairia tanto, e agora teriam produção disponível no mercado. Com isso, o governo receberia o investimento de volta. Mas como isso não aconteceu, o produtor vendeu a produção a preços muito baixos e agora não existe feijão nas mãos do produtor, para evitar uma especulação com o produto.
Produtor perde Os produtores paranaenses foram os maiores perdedores desse jogo de mercado, observou Mello. Isso porque durante todo o primeiro semestre, venderam o feijão a preços até inferiores aos custos de produção. Nesse período a oferta era abundante e o feijão chegou a ser vendido até por R$ 20,00 a saca, enquanto o custo de produção está calculado em R$ 32,75 a saca.
Como o preço médio de comercialização ficou em R$ 23,63 no primeiro semestre, calcula-se que o prejuízo ao produtor ficou em torno de 30%, afirmou Gilberto Mello.
Supermercados Pena que os supermercados não repassaram a totalidade da queda de preços do feijão ao consumidor, observou Luders. Segundo ele, quando os preços cairam muito no primeiro semestre, os supermercado repassaram a baixa parcialmente e agora certamente vão repassar todo o aumento de preço que tiverem.
Até o final do ano, os preços do feijão deverão ficar firmes, mas oscilando bastante no mercado, prevê Luders. Ele acredita até em nova corrida dos produtores para plantar o feijão. Mas alerta que se o governo não tiver uma política de sustentação de preços, o produtor corre o risco de investir agora e colher novamente prejuízos no primeiro semestre do ano que vem, quando for o período de colheita.





